quinta-feira, 27 de julho de 2017

Formigas - 1 Humanos - 0

Parecia que ia ser um dia como aos outros, sem nada de extraordinário a apontar.
Estamos sempre emaranhados nos nossos problemas e questões intrínsecas. Sempre demasiado dentro de nós para aproveitar a vida com tudo o que de único tem para nos dar. Passamos demasiado tempo a reflectir sobre coisas sem importância e sem sabermos como saborear a vida.
Não encontrei a solução, mas sim pequenas soluções.

Quando estava a passear hoje, por acaso olhei para o chão com olhos de ver. E vi algo tão simples como um grupo de formigas. É difícil explicar o porquê de sempre ter gostado de formigas. Poderá ter sido por causa do filme: "Uma vida de insecto", que vi quando era miúda. Poderá ter sido porque tive um formigueiro de plástico quando era nova e fiquei fascinada com colocar formigas lá dentro e tentar que elas realmente fizessem um formigueiro daquilo. Não consigo explicar.
O que se passa é que já há muitos anos que sempre que vejo formigas no chão, dou uma passada muito grande para não as pisar. E por vezes fico a olhar para elas, sigo-as até ao formigueiro e observo os seus passos para ir buscar/levar comida.
Desta vez não foi diferente. Olhei para o chão, coloquei-me de cócoras e reparei que havia formigas bastante grandes com uma cabeça avermelhada e formigas pequenas pretas, todas estavam de volta de pequenas partes de plantas, estavam a tentar levar o "alimento" para o formigueiro porém, haviam vários elementos que não estavam a favor delas: O vento, o peso do "alimento", o solo. Segui o caminho que estavam a fazer até ao formigueiro e ainda era longe do local onde estavam. Longe para elas claro. Para mim eram apenas alguns passos.
Fiquei muito atenta a ver como iam levar aquelas sementes que eram tão pesadas para elas até ao formigueiro a metros dali, com um vento que tanto as puxava para trás como para a frente. 
A verdade é que elas não se estavam a safar muito bem.
 Primeiro haviam várias formigas, grandes e pequenas que passavam pelas "colegas" sem as ajudar. Depois a maior parte delas estava a tentar levar uma semente sozinha, quando nitidamente se tivessem duas ou três numa semente seria muito mais fácil levá-la. Podiam também estar ali mais formigas grandes pois estas deveriam ter mais facilidade a andar com as sementes que tinham o tamanho delas, mas não, havia mais formigas pequenas que grandes. 
Claro que isto é uma mente humana a pensar porém, à parte disto tudo o que realmente me surpreendeu foi que elas tiveram bastante tempo a tentar puxar algo que era muito mais pesado que elas, com aquele vento terrível e com aquele terreno que estava cheio de pedrinhas e buracos. Eu olhava para o formigueiro a metros dali e olhava para elas e percebi que o meu instinto humano de compaixão não se desligava com insectos. Peguei em todas as sementes que estavam ali à volta em que não havia formigas agarradas a elas e levei-as até ao formigueiro. Coloquei tudo mesmo a tapar o caminho delas para o formigueiro. E a reacção das formigas foi muito interessante. Primeiro as formigas que estavam do outro lado ficaram à nora, olhavam para todos os lados à procura das sementes que estavam ali há um segundo atrás e que elas queriam levar para o formigueiro. E do outro lado ao pé do formigueiro havia formigas a chegar com comida, estas não desviaram as outras sementes passando quase por cima delas para passar com a comida que traziam. Depois saíram do formigueiro as tais formigas grandes com cabeça avermelhada que começaram a rondar as sementes como se tivessem a verificar o que era aquilo e de onde tinha vindo. Passado uns minutos tudo já estava dentro do formigueiro e o caminho limpo outra vez para todas irem e virem.
Eu acabei por não levar todas as sementes para o formigueiro, deixei algumas lá e vi o quanto ainda se esforçavam para levar as sementes dali. As formigas vão estar, certamente, o dia todo e talvez o dia seguinte todo e se necessário a vida inteira a puxar aquelas sementes para o formigueiro.
 É absolutamente incrível ver a sua resiliência, ver que apesar de estarem todos os elementos contra, elas não desistem. 

E no meio disto tudo penso agora que elas não são tão diferentes de nós.
Muitas vezes passamos uns pelos outros, sem nos ajudar mutuamente. Muitas vezes embirramos que queremos fazer algo sozinhos, quando acompanhados chegaríamos mais rapidamente ao nosso objectivo. Tantas vezes as pessoas de poder que podiam mudar alguma coisa não fazem nada e as pessoas comuns é que têm que se mexer.
Realmente só há aqui uma grande diferença: A maior parte de nós desisti facilmente, nós desistimos a toda a hora. A maior parte de nós não é capaz de se fixar num objectivo e não sair dali até o atingir.
Formigas - 1     Humanos - 0
 
 

sábado, 22 de julho de 2017

Ir e Ser

Já passou muito tempo. Já passou demasiado tempo. Pergunto-me como deixei o prazer de escrever para trás, como deixei de elaborar textos e delinear pensamentos, como pude esquecer aquilo que realmente gosto de fazer. Não sei responder a isto. Deixei-me levar pela vida, fui escrevendo outras coisas e fazendo outras coisas e deixando de ter tempo ou fingindo que não tinha tempo. Tempo. Essa palavra maldita.
Estava a ler os rascunhos que se encontram por aqui e lembrei-me de escrever sobre algo. No entanto tenho a minha cabeça bloqueada, as minhas memórias estão fechadas num baú e os meus olhos estão pesados. O tempo, os momentos e as decisões. Tudo isso junto fez a mudança. Para o bem e para o mal, a mudança. A vida hoje já não é o que era há um ano atrás. A vida é, realmente, tão diferente. E nestes meses tanta água passou pelo rio, tanto vento soprou, cruzei-me com tantos olhares diferentes, tantos sorrisos significativos, tantas palavras e línguas diferentes e em suma tantos mundos distintos. Não me arrependo de nada.
E agora o estar aqui sem aquele peso que tinha anteriormente. Agora estou aqui porém, estou também em todo o lado. Daqui para a frente parece-me que estarei sempre em todo o lado e é bom saber isso. Quando começar a sentir-me presa, tenho a liberdade, vontade e iniciativa de, simplesmente, ir. Não precisa de ser longe mas ir. (Ás vezes vai precisar de ser longe.)
 Estar aqui agora não me perturba em demasia mas a longo-prazo sufoca-me. Por isso não me deixo estar e arranjo planos para ir. Porque sei hoje que posso fazer o que bem me apetecer, não estou presa a nada nem a ninguém.
O maior privilégio da vida é puder ir e ser. E nisso fui privilegiada. Sou e vou as vezes que me apetece. Quando estou aqui sei que deixo de ser e é por isso que rapidamente junto as duas palavras e faço planos para ir, não quero ficar muito tempo sem ser. É um tempo que não volta, é um tempo perdido e eu sei, hoje, que podemos ser tanto se não nos esquecermos da importância de, verdadeiramente, Ser.

AR

Somos um só

Não sei como explicar isto. Mas tenho pena que as pessoas tenham medo dos animais livres. Deixa-me bastante triste que as pessoas continuem com medo de ratos, de iguanas, de aranhas, de todo o tipo de animal que não seja dócil, fofinho e de preferência doméstico. Tenho pena porque sei que vai ser este medo que vai atrasar a libertação de todos os animais e a possibilidade de um dia ser natural eles viverem connosco no mesmo espaço. No entanto, tenho esperança porque se Florida consegue viver com aligátores e iguanas, se a Costa Rica está cheia de animais selvagens livres, se a Índia cresceu com os seus elefantes, camelos, macacos ... juntamente com as pessoas, então eu sei que há esperança.
 Sonho com o dia em que os animais estejam livres em todo o lado e que aprendamos a conviver com eles como aprendemos a conviver com outros humanos, que entendamos a importância de todas as espécies e que as tratemos como tratamos a nossa: com respeito e reconhecimento do direito a viver em liberdade.

AR

sábado, 7 de maio de 2016

One of the most important movements of the century!

domingo, 1 de maio de 2016

Aceitar o nada

O que é que é real? O que é que é verdadeiro? Quanto tempo é que dura uma verdade? Para sempre é até quando? Quanto é que é muito? Quanto é que é pouco? Disse agora uma verdade, continuará a ser verdade amanhã? E depois de amanhã? E para o ano? E daqui a 20 anos? E quando estiver às portas da morte? Usaste o Para sempre, querias dizer até um dia, até acabar, até deixar de fazer sentido. O que é o sentido? De onde é que ele vem e para onde é que vai? É isso que nos leva à felicidade? O que é a felicidade? Como encontrá-la? Como saber dizer-lhe Adeus? O que significa ser feliz? O que é o significado? Porquê é que o significado desaparece? Porquê é que tudo desaparece?
A realidade deixa de ser real. A verdade passa a ser mentira. O Para sempre não existe. O sentido é efémero. A felicidade é passageira.
 Continuamos, mesmo assim, à procura do significado de tudo isto. Porém, o significado não tem significado e andamos à procura de coisa nenhuma.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Talvez não

E então dizem-nos que o objectivo da vida é andarmos sempre aos pares. E escolher um para o resto da vida. Dizem-nos para investirmos apenas numa pessoa, para darmos tudo. Dizem-nos também que é natural um homem trair mas uma mulher o fazer é uma vergonha. Dizem-nos que já está tudo bem, que já temos todos os mesmos direitos, que vivemos como iguais. Dizem-nos que devemos estudar se queremos ser alguém na vida. Dizem-nos que devemos ser alguém na vida. O que é ser alguém? Dizem-nos que temos de ter o último Iphone mas ninguém nos conta como é que ele foi feito. Dizem-nos que temos de ter uma conta no Facebook, no Instagram, no Twitter, no cu de judas e na terra santa. Dizem-nos que temos de ser honestos mas depois quando o somos mandam-nos calar. Dizem-nos que ler é bom e dão-nos o Correio da manhã para a mão. Dizem-nos que a moda é vestir uma camisa às riscas e a cor verde. Dizem-nos que sem dinheiro não somos nada. Dizem-nos que devemos ajudar-nos uns aos outros mas deixamos os refugiados à porta da Europa. Dizem-nos que devemos comer isto e aquilo. Que devemos dormir x de horas. Dizem-nos que se tivermos doentes devemos tomar este e aquele medicamento. Dizem-nos que devemos casar e ter filhos. Que as mulheres devem ter filhos, e aturar os homens, e criar humanos como deve ser e morrer com orgulho nos humanos que criaram. Devemos ser assim e assado, fazer isto e aquilo, morrer virados para o céu se não, não somos abençoados. Dizem-nos que existe um ser superior. E depois dizem-nos que somos um ser superior. Dizem-nos para rezar mas os extra-terrestres já estão fartos de nos ouvir. Dizem-nos que existe vida para além da morte. (Nem a morte pode existir em paz, sem que digam que ela não existe.) Dizem-nos que tem de haver um funeral e temos de pagar por ele. Temos de pagar para ir embora, para desaparecer. Até o tempo que não existe está manchado por aquilo que nos dizem que temos de fazer.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A última geração

Saudades da infância dos anos 90. Parece que fomos a última geração a viver uma realidade real, entre o passado cheio de momentos importantes e o que viria a ser um futuro evoluído mas menos iluminado. Vivemos numa boa era. Saberemos passar essa felicidade e essa luz aos nossos filhos? Mesmo com este presente e futuro que se emprega em nós todos os dias um bocadinho mais e nos faz esquecer como era simples e belo viver nos anos 90, saberemos explicar-lhes o que foi e saberemos ensinar-lhes os valores que nos fizeram ser a geração que somos? Conseguiremos não nos esquecer de quem fomos? De quem somos? Do que nos tornou os seres de hoje, com uma revolta pelo passado que nunca presenciamos e ao mesmo tempo com um sossego de um futuro que vinha com todas as respostas. O nosso tempo é um tempo que passou rápido. Connosco o mundo cresceu, os anteriores cresceram devagar e os a seguir cresceram rápido demais mas nós não. Nós crescemos com o mundo, evoluímos com o mundo, o tempo passou por nós da mesma maneira que nós passámos pelo tempo. A única geração que fez sentido no meio desta embrulhada toda. Agora olha-se para trás e não sabemos se temos pena de nunca ter vivido o passado passado a preto e branco e cheio de revoltas e conquistas ou se temos pena pelo futuro que vemos à nossa frente: uma sociedade que não teve tempo para crescer e cresceu mesmo assim, à pressa e já sem saber ler nem contar. Já não há tempo para isso…