quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

"Assim organizar a nossa vida que ela seja para os outros um mistério, que quem melhor nos conheça, apenas nos desconheça de mais perto que os outros. Eu assim talhei a minha vida, quase que sem pensar nisso, mas tanta arte instintiva pus em fazê-lo que para mim próprio me tornei uma não de todo clara e nítida individualidade minha."

Bernardo Soares

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

As vozes que o chão me diz

“Na presença de um som prefiro-me calado porque um som pode significar muito

Muita coisa

Muito mesmo

Muito

Mesmo tudo

Ouve

Estás a ouvir?

Então ouve agora com atenção

Estás a ouvir com atenção?

Pois bem então imagina este som e faz de conta na semelhança de acreditar que é uma voz

Uma que está quase na esperança que a ouças

Atenta mais

Atenta melhor

Ouve nas entrelinhas de quem encosta o ouvido ao chão para ouvir ao longe o bater do coração da cavalgada da infantaria

És o índio

Tu és o índio que vai perceber antes os anseios dos depois que estão para falar

Ou dos antes que diziam mas que emudeceram porque não estavas com os tímpanos no cimento da pradaria

O teu papel é este

Passar a limpo o que dizem e falar disso aos que levam os tímpanos encostados ao ar porque acham que o peito da terra está sujo

O pó que se levanta agacha-te

Faz-te deitar aproximando de ti o planeta que nesse momento faz o único amigo

Encostas o que ouves ao que te dizem

Deixas que as lamúrias te usem primeiro os circuitos da orelha para depois os perceberes pelo julgamento do ouvido

E entendes tudo como quem escuta sem acenar a cabeça por estar colada a um chão quente em que te afundas

O cimento seco engole-te como o fresco e nadas pelo manto até ao centro

E no centro encontras todas as vontades que estão por cumprir

Ouves as vontades

Apontas num caderno à prova de chão e voltas à tona mais dura

Quando emerges contas aos milhões o que é que o planeta e todas as vozes que foram e que vão ser te disseram

Ninguém te dá ouvidos mas tu não fazes caso

Pegas no caderno à prova de chão e passas tudo a limpo para um caderno à prova de gente

E depois fotocopias o caderno à prova de gente e dás a todos os homens e mulheres

E todos os homens e mulheres tentam destruir o caderno

Mas não conseguem porque o caderno é á prova de gente passa a prova

E então todos passam a viver com o caderno colado na bolsa a tira a colo que levam quando estão nus

E as vozes que ouviste debaixo da terra estão agora debaixo da pele de todos

E agora podemos encostar-te ao peito uns dos outros para ouvir o que todos querem

E todos querem o mesmo

A mesma coisa

O que todos querem é isto

Então, como te correu o dia?

Tens frio?

Queres um beijinho?

Estás zangado?

Não estejas

Amanhã vai ser melhor

Acho que estás com febre

Queres que te faça um chá ou que vá à farmácia?

Fica-te bem o casaco, compraste onde?

Ainda bem que vieste

Estava mesmo a precisar de falar com alguém e só podias ser tu?

Queres ir lá a casa passar uns dias nas férias? Podíamos pescar

Podes ficar com ela não me faz falta

Estás com medo de quê? Porquê? Não tenhas dá um abraço pronto já passou

Pronto já passou

Perceberam perceberam?

Agora já não é um exemplo das coisas que se ouvem agora estou mesmo a falar

Perceberam?

É isto que se ouve

É isto que se quer

O que se quer

O que todos nós queremos é um bocadinho de atenção uma palavra

Ou duas

Ou três

Ou quatro

Ou sempre

Ou todas

Ou aquela que queremos ouvir

Ou a que precisamos de ouvir

O que nós queremos ouvir é que esteja alguém a ouvir

E quando não houver remédio

Quando a dor é maior que a vida e não há nada a fazer o que todos nós queremos é

Pronto já passou

Pronto já passou

Pronto já passou”

João Negreiros, pela última vez. Amei o livro “a verdade dói e pode estar errada” e foi por tantos dos textos dele me tocarem que os pôs aqui. Hei-de ir à procura de outros livros deste autor…

Indignação

Estava para aqui a pensar na parvoíce que é a vida...

Tenho presente na minha memória alguns conceitos que a bíblia defende, do tipo: Quem faz o mal vai para o inferno, quem faz o bem vai para o paraíso. Oh como era bom que isto fosse mesmo assim.

Pressinto que há muita gente neste mundo que não merecia morrer tão cedo, aliás de tão puramente humanas não deviam morrer de todo. Havendo outras que vivem demasiados anos só estando cá a chatear e a destruir o que de bom existe.

Não acredito nem no paraíso nem no inferno e por isso isto só me leva à indignação.
Qual é o prémio para aqueles que passam toda a sua vida a fazer o bem e a espalhar esperança e felicidade por onde passam?!
Eles não quereriam um prémio, este tipo de pessoas são superiores a isso, dão sem querer nada em troca.

Só fico indignada quando vejo injustiças. E o pior é que toda a gente sabe que o são mas ninguém fala delas. Toda a gente sabe que os bons raramente ganham algo por serem bons, enquanto os que procuram sucesso e poder são os que mais ganham prémios neste mundo.

Sei que há muitas pessoas a lutar contra o sistema e a favor da justiça, da sinceridade, da honestidade, da felicidade e da simplicidade. Muita gente mesmo que é abafada e posta de lado, que actua na sombra e que pouco ganha com a luta contínua.
E é a essas pessoas que dedico este post e agradeço por existirem e bato palmas em silêncio com vontade de um dia arranjar forças para ser como elas.

Nem que tenha que morrer mais cedo, (que é o que parece acontecer a muito boas pessoas) pelo menos morreria sabendo que tinha dado o melhor de mim.
Penso que não há maneira melhor de se morrer e espero que todas aquelas óptimas pessoas que morrem de cancro, ou de outra coisa qualquer, tenham isso em mente, que saibam que deixaram cá admiradores e que inspiraram muita gente só por existirem.


Digo isto como se estas pessoas, já mortas, pudessem ler estas palavras, como se pudessem sentir a minha energia. Não podem, e é essa uma das razões porque continuo indignada...

sábado, 18 de dezembro de 2010

O amoral da história

“O suor do lavrador faz brotar semente

A semente do lavrador faz brotar suor

Na goma da camisa está a importância da cerimónia

Na graça da criança está a desculpa para o adulto

A raiva acumulada dá o álibi ao pretexto

Perder a razão é comum em momentos de crise

Saber estar é circunstancial

Viver bem despoleta invejas

Voltemos atrás vivamos mal ou finjamos viver mal

Estar fora da realidade é a solução para quando a realidade não serve

O que nos serve de lição pode ficar curto nas mangas a outro

Um companheiro deve ser um amigo ou pelo menos

Não ser um inimigo

A verdade é a nossa

Ao longo da vida existem momentos em que escolhemos e outros que escolhem para nós

Criar é um privilégio

Criar é um dever

Criar é uma obrigação

Criar é

Criar pode ser

Criar ás vezes não é uma característica

Dar mérito a quem não o tem é perigoso

Dar mérito a quem o tem é difícil

Saber o nosso lugar é uma fonte de consumições

Não ter lugar pode ser a liberdade

Não ter onde ficar é desconfortável

Viver na escuridão faz mal aos olhos

Olhar para o sol directamente também

Roubar é errado

Roubar está errado

A gravidade de um roubo depende do que roubamos

De a quem roubamos

De quando roubamos

De como roubamos

De porque roubamos

De se hesitamos antes e se dormimos bem depois

Da falta que vai fazer a quem rouba

A circunstância de passar a fazer parte do conjunto de pessoas que já roubaram poderá ser também factor de adversidade ou não

A inteligência não anda de mãos dadas com o sucesso para não cair

Todos temos um objectivo

Uns sabem-nos

Outros não

Há gente que descobre quando já é tarde demais

Há gente que sabe que já é tarde demais quando descobre

Há gente que sabe mas que não quer descobrir

E há gente que descobre mas que não quer saber

Levar um dia de cada vez pode criar-nos dificuldades em fazer planos para o fim-de-semana

Estar sempre de pé atrás pode obrigar-nos a coxear

Se formos cruéis para os nosso semelhantes os nossos semelhantes serão iguais

Se tivermos vergonha das nossas origens vamos ter menos anos de vida

A comunicação é muito importante

Falar é importante

Falar é mais importante do que falar alto

Falar é mais importante do que falar baixo

Tocar é muito mais importante do que falar

Correr sem sentido ás vezes é tão útil como saber para onde se corre sempre

Começar bem um projecto ou viagem é melhor que um mau começo mas quase tudo está acometido de reversibilidade

E quase nada está acometido de irreversibilidade

Estar atento ao que se passa é muito útil mas pode dar-nos demasiada consciência da nossa impotência

Estar apenas atento faz-nos

Amorfos

Apolíticos

Amorais

Amáveis

O estado de atenção deverá ser alimentado por uma constante e genuína vontade de intervir

Essa vontade de intervir deverá ser secundada pela intervenção em si

Quem quiser viver mais tempo deve evitar confusões

Quem quiser viver deve meter-se nelas

Fazer o que nos mandam é mau

Fazer o que nos pedem pode ser bom

Quem só manda é mau

Quem só pede quer ser mas não consegue

Os desafios servem para falhar

Os desafios servem para conseguir

A coragem mede-se com uma régua imaginária que só existe quando o coração bate forte

A boca fica seca e sentimos o desmaio eminente

Os heróis são homens

As guerras servem para vender armas a santos

A simplicidade é difícil de atingir só porque ninguém é simples

Ninguém quer ser simples

As crianças fazem de conta que não sabem para que os pais se sintam melhor

Para que os pais sintam melhor

Para que os pais se sintam melhores

Os significados são exclusivos de quem os compreende

As relações entre pessoas são a causa principal de grande parte das coisas boas

As relações entre pessoas são a causa principal de grande parte das coisas más

O amor não é uma intervenção

Se o amor fosse uma intervenção funcionava

As histórias não deveriam ter moral

As histórias deveriam ter mensagem

Esta história não é uma história

O fim obriga-nos sempre a parar”

O meu querido João Negreiros

^^


domingo, 28 de novembro de 2010

A palavra de hoje é...

Esclavagismo - Organização social que defende a escravatura; escravismo.


Não, mas isto existe mesmo?! -.-
Gosh...

domingo, 31 de outubro de 2010

Há lugar para a verdade

"Como se a vida fosse fácil dás-me verdades de pacotilha que eu estou a coleccionar para te atirar à cara quando fazemos amor.
Em vez de nomes feios vou-te cuspir lugares comuns como orgasmos múltiplos que se querem com rasgos de entusiasmo que eu carrego nas costas à feição das tuas unhas.
E, na verdade, não gosto de ti só porque não te suporto mas, no mais profundo calabouço, consegues dar-me o riso do despropósito e as lágrimas fáceis de quem não sabe o que diz e isso faz-me bem porque não me faz mal. Alivia-me porque me acompanha, informando-me a cada momento que a vida é uma graçola sem fim e sem sentido e que todos andamos com o propósito de dar trabalho ás pernas para que não apodreçam...e aos braços para que se movam como os pêndulos perpétuos da solidariedade.
E rimo-nos de tudo porque há sempre quem sofra mais... que é o que se diz ao miúdo que não quer comer a sopa...para que o bem-estar de toda a civilização prevaleça é importantíssimo, crucial até, contar ao garoto que não come o caldo que existe do outro lado do mundo um garoto igualzinho a ele (à excepção da cor e da falta de membros superiores cortados previamente à catanada) que gostaria de estar a comer aquela sopa quentinha a afogar agriões. É determinante dizer ao menino que não quer comer que há mais quem queira. E que quem quer merece mais porque tem mais fome. E o moço pergunta: - Então porque tenho de comer eu sopa azeda se há meninos sem mãos e sem pais que precisam mais do que eu?
E o moço particularmente inteligente do poema tem toda a razão. Porque havemos nós de sofrer menos porque os outros sofrem mais? Ora, eu sofro à minha maneira, da minha forma ocidental, senão está bem multem-me, estraguem-me a vida para eu ver o lado positivo e os que dizem "muita sorte tens tu" podem ir para o caralho porque se eu tivesse muita sorte não tinha de os ouvir...a falar da minha sorte...quando eu só quero chorar...e partir tudo...e mandar toda a gente bardamerda. Há lugar para a verdade por isso tu, que eu fodo com paixão e que desprezo com prazer, podes meter as tuas verdades...Como é que tu dizes? "Tu não gostas é de ouvir as verdade...Eu digo pela frente para não dizer por trás"... Como eu estava dizendo tu e esses borra-botas que falam da minha sorte podem meter as verdades todas no cu.
Vou inventar uns lugares comuns novos e umas verdades por estrear para vos meter no cu a todos e vou fazer desta sodomia a minha única missão.
A partir de hoje auto proclamo-me clister universal da humanidade e irei dedicar todos os meus suspiros, desde o raiar até ao deitar, a intrometer no ânus do ex-símio as mais incómodas e protuberantes constatações.
E sempre que alguém se mexe na cadeira...sou eu. Sempre que alguém coça a intermitência das nádegas...sou eu. Sempre que a cueca resvala para o buraco negro não sou eu...mas a cueca trabalha para mim. Eu sou o ministro da comichão, o chato que vem atrás, o pica-miolos que sabe onde eles picam...e onde dói mais... e não vos vou dar descanso...e em vez de descanso dar-vos-ei infecções intermináveis de verdade, purgas de verdade, sangrias pestilentas de verdade. E sei bem que não é nos vossos olhos que alguma vez encontrarei o caminho para a felicidade mas enquanto vos obrigo a mexer, coçar, a sentir, a gemer, a estrebuchar talvez, por segundos, vos faça também pensar.
Quanto a ti, meu amor, minha musa de vulgaridade, nem sei como te amar mais, devo-te tudo, devo-me, dou-me todo, amo-te todo porque me entendes de corpo e sem alma, porque me ensinas o caminho todos os dias...porque, como tu costumavas dizer, quando corria mal no emprego:
"Meu querido, tens que começar por baixo. Tens que começar por baixo."

João Negreiros no seu melhor.

A espera

Fala comigo! Não te escondas do mundo, não te escondas de mim. Conta-me o que és, o que foste e o que gostavas de ser. Retrata-me os teus sonhos e desabafa sobre os teus pesadelos. Fala comigo!
Quero saber cada detalhe da tua essência, todos os detalhes que te fazem ser a pessoa maravilhosa que és. Conta-me a tua história e as tuas experiências, conta-me cara-a-cara o que pensas tu do mundo e o que pensas da vida.
Ri ou chora ou fica indiferente mas deixa-me ver a expressão do teu olhar, a linha dos teus lábios, o torcer do teu nariz, a ondulação do teu corpo, o levantar das sobrancelhas...
Poderias-me ensinar muito se falasses comigo. Se me mostrasses como é ser tu e me deixasses entrar nesse teu mundo que parece ser tão completo e colorido e, ao mesmo tempo, tão incompleto e sem cor.

No entanto, tu não queres saber dos meus desejos e da minha vontade e não te sentes à vontade nem para falar nem para exteriorizar o teu mundo. Não queres abrir a porta, não te apetece partilhar o que és...

E eu continuo aqui à janela a observar o teu mundo do lado de fora e a querer muito ajudar-te a ser feliz. Continuo à espera... que é o que se faz quando se ama a sério.

Espero que um dia ela abra a porta e me deixe entrar no seu mundo imenso. Se não abrir só posso ter pena e acreditar que não era eu que a faria verdadeiramente feliz.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010


A perfeição só aparece por um instante, o resto da vida é imperfeita.
O segredo está em saber lidar com essa imperfeição e torna-la algo suportável e quiçá, uma imperfeição em que gostemos de nos envolver.
Ninguém nunca disse que era fácil e, sinceramente, o que é fácil não me interessa.
O que é fácil não enriquece nem a minha vida nem a minha essência.

Todos procuramos alguma coisa. A distinção entre os felizes e os infelizes está na conformação. Há quem se conforme com o que tem e há quem nunca desis
ta de lutar. Gosto de acreditar que estou na segunda categoria... Porém... Às vezes não sei. E nessas vezes não sei nada e sei tudo. E entro num círculo vicioso e viciado no qual nunca saio com grandes respostas e sempre com mais perguntas. Tento-me guiar por elas para encontrar a tal imperfeição especial e única que acredito que existe. Mas eu acredito em coisas a mais e muitas vezes em coisas a menos. E depois perco-me e volto-me a encontrar e perco-me outra vez...Penso que a vida é isto mesmo.


Como disse há uns anos atrás:
Viver, ás vezes, é cansativo e é mais bonito sonhar.

Porque, ás vezes, viver é cansativo...e é sempre mais bonito sonhar...

sábado, 25 de setembro de 2010

inspiração é respirar

"assustas-me como a natureza quando desmaia pelo acasalamento de um bicho

tomas-me de assalto tão alto que só sei que és tu pela cor do ventre quando choras

sei-te como a enciclopédia afogada em anexos pelos planetas que aparecem só para a contrariar

dás cabo de mim porque me pões fim

dás-me o ânimo dos juncos que abanam só pelo vento

dás-me as amoras dos trigais que são raras de tão impossíveis

fazes-me viver como a palidez para o doente terminal

prendes-me pelo cachaço como só a boca consegue

aproxima o teu corpo ao meu e vamos fazer filhos dos outros para que todos procriem com amor

emprestemos a nossa seiva às árvores que morrem da poda

e façamos de todos os seres o resultado inequívoco de um olhar nosso que se troca por miúdos

és ninfa sem verde

o fantasma sem escuro

a corneta subtil

o galgo que embala o ar

o coxo da perna boa

e eu fiz-me para te completar

apareci para te reafirmar coerência

para te investir valor

para te secundar

para te lamber o chão com saliva que estava guardada para os beijos para além dos nossos

tu só és para mim exactamente o que sou para ti

e olha que é muito

e olha que chega para encher tanques de rãs com carícias

és a personificação das manhãs claras e dos membros sãos

és a esposa que anseia

o rasgão sem dor

o sangue sem ciúme

a cor dos olhos

a ternura da pele

o carinho das canções

e eu serei o romance que mandou a tua cabeceira abater uma lareira

abraça-me muito que tenho medo de ti

que choro muito sem ti

e sou-te porque não me conhecia até

e sigo-te como o carneiro segue a camisola

e vou estar na tua boca colado

a evitar os soluços e as palavras

para poder viver o resto dos dias na intermitência da tua respiração

amo-te por dentro

inspira-te em mim

amo-te por fora

expiro sem ti

amo-te por dentro

inspira-te em mim

amo-te por fora

expiro sem ti

e o ar que me move move todos

e o ar que me move move todos"

Um dos melhores poemas de amor que já li. ^^
João Negreiros mais uma vez. =)

sábado, 11 de setembro de 2010

Yaho!!!!! =D

"Cara ANA TERESO,

Concluída a 1ª fase do concurso nacional de acesso
ao ensino superior, vimos informar que o resultado
da tua candidatura foi o seguinte:


Resultado: Colocada
Estabelecimento: [3105] Instituto Politécnico de
Leiria - Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar
de Peniche

Curso: [9848] Animação Turística"


Pronto peço desculpa mas tinha que
fixar isto em algum lado. XD

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Sereia se quiseres

" Anda depressa dormir que eu prometo que vou fingir que não adormeço. Entras-me a meio do sonho como a sereia que fez do início das escamas a cintura... para se fazer mais fina, mais estreita, mais estreito que sou eu...que até cabo em ti com o mar à volta...como um mau português que se afoga na salitre das tuas vogais parasitas que nunca me soam a mais.
E tenho a mania que te amo só porque não conheço ninguém melhor...ou melhor...até conheço, ou conheceria se tivesse a imaginação mais fértil...para te imaginar como a irmã feia e burra da mulher mais que perfeita que não existiu no passado. Mas como não me sai da cabeça a imagem...nem com shampoo...e, como a mulher mais que perfeita nunca vai dar à costa, tenho de me contentar contigo que és só a perfeição.
És tu, és só tu.
E tu:
_ Serei...sereia...serei a...se tu quiseres.
E eu...à falta de melhor... quero."

Toca-me pela razão mais óbvia.
Outro texto de João Negreiros.

A palavra de hoje é...

Fastio - Falta de apetite, tédio, enfado.

E para título de curiosidade a palavra fanar (roubar) vem no dicionário.
Eu vou ali fanar uma maça à cozinha venho já. =) Porque eu de fastio não tenho nada.

domingo, 5 de setembro de 2010

Os filhos dos outros portam-se bem à mesa

"Se cada vez que der um gole de água pensar nisso vou ter de pensar em muitas outras coisas e isso leva-me, a pouco e pouco, a pensar em tudo. Então, em vez de ser um ser, vou ser uma fábrica de ângulos... de pontos de vista que não vão estar certos porque vão ser só mais uma unidade que faz parte das múltiplas possibilidades de análise que rodeiam a nossa vida e a vida dos que nos rodeiam.
A loucura, ou o início dela, é isso, é o momento em que começamos a pensar...a partir daí é sempre a cair de forma sossegada como quem engole chicletes na montanha russa. A loucura é a incapacidade que temos de parar de pensar.
A loucura é o som que nunca ouvimos até ouvirmos, a pessoa que não temíamos até tremermos, a corrente que levávamos no pescoço até sabermos que era de ar...e dá-nos um arrepio daqueles...ou um dos outros...se decidirmos entrar na vida de outra pessoa e analisar a infelicidade pelo ponto de vista de alguém a quem não conhecíamos as maleitas...até passarmos a conhecer. E, quando damos conta, contamos-lhe as dívidas e os trocos, sabemos-lhes os defeitos e as injúrias de alcofa, beijamos-lhes os filhos como nossos, o sangue como morcegos, a sina como ciganos e nós somos eles...e todos.

Mas, quando nos aborrecemos, voltamos para casa...para deixar de sofrer muito com a vida dos outros e passamos a sofrer um bocadinho com os nossos. É que os nossos filhos são mais feios... a nossa mulher é mais gorda... os nossos pais estão menos mortos...os problemas dos outros, dos outros que fazem parte da raça sem sermos nós, são nobres, os outros são heróicos, os outros passam na televisão, os outros choram sem soltar ranho, morrem sem borrar as calças... e as dívidas de jogo são porque tiveram um descuido, uma hesitação, uma fraqueza...nós não...nós somos descuidados, hesitantes, fracos e nós não gostamos nem um pouco de nós porque queremos passar as tardes em casa do resto da raça a ajudar a raça a sentir-se melhor com ela própria. Nós queremos passar as tardes a jogar às cartas em casa do resto da raça humana e elogiar-lhes as cortinas...e os dentinhos de leite dos rebentos...enquanto os nossos filhos crescem órfãos, os nossos irmãos não nos conhecem, os nossos pais morrem à fome no beco do caminho para as férias...e a nossa empregada não recebe subsídio de Natal...e o nosso peixe não tem quem lhe mude a água...e a nossa roupa fede porque não quisemos tomar banho. E por isso tudo fedemos a falhanço e levamos eternamente o rosto da derrota dos que se deixaram ficar... dos que não gostam de si... nem do que sai de si...
E que é feito de si?... está com tão bom aspecto...e a sua senhora...está boazinha?...há que tempos que não os via... "

Um texto de João Negreiros, encontra-se no livro "A verdade dói e pode estar errada".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nonsense...Or not

Já tinha passado muito tempo, diria até que já tinham passado séculos…

Depois de todo este tempo as memórias estavam distorcidas, de tal maneira que não conseguia distinguir o passado do presente, a ficção da realidade, o imaginário do real.

Já não eram só memórias, eram memórias com uma pontinha de imaginação à mistura. Já não eram só saudades, eram saudades com tristeza e desespero à mistura.


O que existia em mim aliás, o que existe em mim não és tu nem a tua essência, (até porque nunca tive real interesse em mergulhar-me nela) é pois a memória da superficialidade do teu corpo, do reflexo do teu olhar, do teu sorriso brilhante…


Admito, o que quero é a superficialidade do teu corpo, ver o reflexo do teu olhar, observar o teu sorriso brilhante. Só e apenas isso.

Porém, até este meu pequeno desejo é inalcançável.

Porque tu fazes parte das minhas memórias e isto quando não és só parte da minha imaginação.

Porque tu já não existes e o meu desejo já não és tu.

Apetece-me enriquecer o meu vocabulário e para isso vou começar por escrever posts que tenham uma ou mais palavras do dicionário que são pouco utilizadas/conhecidas. E vou tentar utilizar essas palavras nos meus textos. Começo já por estas duas:

Desmistificar: denunciar um erro ou um engano.

Desmitificar: retirar o carácter de consagrado ou sagrado.

Gosto imenso da palavra desmistificar, tem um som bonito. =)

sábado, 7 de agosto de 2010

Sem preconceitos


Estava a andar de autocarro quando um senhor de raça negra sentou-se ao pé de mim. Eu não sou nada racista e tento sempre igualar a maneira como trato as pessoas. Sabendo que nem todas as pessoas são iguais e respeitando essas diferenças que existem entre nós.
O senhor que se sentou ao meu lado tinha um odor corporal muito forte, caracterizante da raça negra e ao sentir isso comecei a pensar na razão de ver tão poucos "brancos" misturados com "pretos" nas ruas. (ou vice-versa)


Para além de termos (Sociedade) criado um estereótipo da raça negra também as diferenças entre nós são visíveis e sentidas, e por vezes, não suportadas.

Sem preconceitos nem nada, eles não escolheram ser assim e nada o podem fazer para mudar. (E porque haviam de querer mudar? Quem é que me diz que o odor que para mim é um pouco desagradável para outra pessoa não é atraente?)
A Natureza é que decidiu que seriamos assim, provavelmente ela nunca se lembrou que um dia as raças iam estar juntas, nunca pensou que íamos sair dos nossos continentes e misturar-mo-nos.


Assim aconteceu e agora só temos de compreender e aceitar que existem pessoas diferentes de nós e não somos nós que somos melhores que ninguém, somos apenas uma das raças e um dos povos deste mundo, ninguém é melhor que ninguém. Todos temos algo a dar ao mundo e o mundo tem algo a dar a todos nós. Cabemos cá todos e somos todos merecedores de um cantinho.

O mal não está na mistura, o mal está na mente das pessoas e na receptividade à diferença (que nem sempre é muita).

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Coisas curiosas III

No outro dia fui a um concerto sozinha. E estava convencida que ia adorar ir pois adoro ouvir o músico em questão. Mesmo sozinha pensava que ia ser espectacular.
Realmente foi bonito e gostei mas... Houve uma altura em que olhei para a lua cheia, fechei os olhos e ouvi a música e pensei -
Quase mágico, quase mágico.

Faltava alguém para dar a mão, alguém a quem pudesse sorrir e comentar o quanto aquela música tinha sido linda, alguém que sentisse a magia comigo, alguém com quem partilhar o momento.

É simples a conclusão de hoje, nunca se está em sintonia com a vida quando se está sozinho/a, quanto muito está-se em sintonia com o nosso mundo. (Que sabe sempre a pouco.)

Acordar para a vida VIII (último)

"Quando terminou a única coisa que me ocorria era toda a noção do próprio eu, o que somos, é apenas esta estrutura lógica. (...)
Relacionar-me com as pessoas. Era só isso que interessava."

domingo, 18 de julho de 2010

Coisas curisosas II

Esta semana tive atrelada a mim uma menina de 7 anos.
Lá para o final da semana ela dizia-me muitas vezes que gostava muito de mim, que não sabia porquê mas gostava muito de mim.
E por ela dizer isso tantas vezes fez-me pensar. E fez-me chegar à conclusão que não gosto quando me dizem que gostam de mim, prefiro que o demonstrem com carinho, abraços e acções do que digam insistentemente que gostam de mim.

E outra coisa, gosto que gostem de mim com moderação e não o demonstrem a toda a hora. Claro que é bom ter alguém a gostar de nós mas torna-se algo cansativo e demasiado comum se não nos derem espaço e tempo para sentirmos falta desse afecto.

Acordar para a vida VII

"Sei que não nos conhecemos mas não quero ser formiga.
Passamos pela vida aos encontrões uns aos outros continuamente em piloto-automático de formiga sem nada realmente humano a ser exigido de nós.
Pára.
Vai.
Guia.
Toda a acção baseada na sobrevivência.
Toda a comunicação para manter o formigueiro numa azáfama de um modo eficaz e educado.
Não quero ser uma formiga.
Quero momentos humanos verdadeiros!"

sábado, 3 de julho de 2010

Maré Negra

Sobre a maré negra no mar da América:

"Nós nunca fizemos nada de errado, cumprimos todas as regras, até porque se não o fizermos temos as autoridades em cima de nós. E agora estamos arruinados só porque alguém não sabe gerir o negócio deles. Eu perguntou-me: se eu for a Inglaterra mijar na fonte da rainha, não vou logo para a cadeia? Então por que é que não acontece nada à BP, que veio cagar no nosso golfo?", exalta-se Dean Blanchard."

"Todos nós temos pais, maridos, filhos, cunhados, amigos, vizinhos a trabalhar para a indústria petrolífera. Estamos perfeitamente conscientes da extraordinária importância que este sector tem para a economia do estado, para a nossa vida quotidiana", refere Margaret Saizan, uma empresária e blogger, que no primeiro dia do Katrina começou a documentar exaustivamente a recuperação de Nova Orleães e da região do golfo.
"Ninguém quer morder a mão que lhe dá o pão. É isso que explica a ambivalência em relação às petroquímicas que sentimos aqui. Há muito que sabemos que todas estas plataformas e refinarias são uma ameaça ao nosso ambiente, mas aceitamos viver com essa realidade diária. Fechamos os olhos aos custos porque os benefícios são tremendos", explica."

"Eu nem queria acreditar: esta tragédia não fez ninguém parar para pensar que não podemos continuar esta exploração selvagem dos nossos recursos?", indigna-se Margaret Saizan. Como disse à Pública, ela esperava que confrontados com o desastre ambiental do golfo, os americanos percebessem que têm definitivamente - e urgentemente - que avançar para um novo modelo de produção e consumo de energia."

Artigo "Tanto petróleo no mar da América" de Rita Siza, na revista Pública

domingo, 27 de junho de 2010

Conversas que ficam

[b]R[/b]dias diz:
as pessoas são uma chatice, sempre uma incógnita..

Ar - diz:
lol
isso é mentira
nem todas são assim
felizmente
só temos que saber estar atentos aos pormenores e ás vezes elas deixam de ser incógnitas e passam a ser parte de nós
^^

[b]R[/b]dias diz:
pois
o mais engraçado é dizerem que gostam de nós e depois fazem-nos estas porcarias
bah

Ar - diz:
acho que o maior problemas de vocês rapazes
é darem mais importância ao que é dito e pouca importância ao resto
apesar de ela ter te dito isso devias ter tomado mais atenção ao resto dos sinais que diziam claramente que estava a mentir

[b]R[/b]dias diz:
hm
bem visto
(...)
o problema de vocês mulheres
é não falarem o que sentem

Ar - diz:
Hum
Bem visto.

Acordar para a vida VI

"O conforto jamais será confortável.
Questiona sistematicamente a felicidade.
Corta as cordas vocais de todos os oradores e desvaloriza a moeda.
Confronta o que é familiar.
A sociedade é uma fraude tão total e corrupta, que exige ser destruída para lá da memória.
Se houver fogo, levaremos gasolina.
Interrompe a experiência diária e as expectativas que a acompanham.
Vive como se tudo dependesse das tuas acções.
Rompe o feitiço da sociedade de consumismo para que os nossos desejos reprimidos possam revelar-se.
Demonstra o que a vida é e o que poderia ser...
"

sábado, 19 de junho de 2010

Coisas curiosas...

Estava aqui a almoçar quando vi um senhor sentar-se ao pé da sua mulher e começar a ler o jornal. Isto fez-me pensar o porquê dele ter começado a ler o jornal quando podia falar com ela ou então porque é que foi para ao pé dela, se não queria falar com ela podia ter lido o jornal noutro lado.

A conclusão que retirei do meu raciocínio foi que a comunicação não é tão importante como se quer fazer acreditar. E que muitas vezes basta a aproximação de um corpo para nos sentirmos seguros e/ou confortáveis. Fez-me também pensar o quanto o corpo faz por si próprio e o quanto sabe bem estar e ser em silêncio e junto de alguém que seja e esteja como nós.

Passando isto para miúdos: é óptimo estar perto de alguém com quem temos uma ligação e de quem gostamos. E para nos sentirmos bem, muitas vezes, basta só um toque, um olhar ou um sorriso. Ou então estar só mesmo ali sem mais nada, sabendo que aquela pessoa está ali connosco.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pura verdade

“Não me interessa que automóvel conduzes ou onde vives.
Não me interessa se conheces alguém que conhece alguém que por sua vez conhece alguém.
Não me interessa se a tua roupa está na moda este ano nem se a tua conta no banco é ilimitada.
Não me interessa se estás na lista A ou na lista B ou se não fazes parte de uma lista.
Apenas me interessa as palavras que flúem na tua mente.
Elas são a única coisa que realmente é tua. São a única coisa que reco
rdarei de ti.
Eu não me apaixono pelos teus ossos ou pela tua pele.
Não me apaixono pelos lugares que visitaste.
Não me apaixono por nada, sem ser pelas palavras que flúem na tua extraordinária mente.” WA.

sábado, 5 de junho de 2010

Acordar para a vida V

"Um amigo disse-me uma vez que o pior erro que se comete é o pensar-se que se está vivo quando, de facto, se dorme na sala de espera da vida."

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ilusões

“O cansaço de todas as ilusões e de tudo que há nas ilusões - a perda delas, a inutilidade de as ter, o antecansaço de ter que as ter para perdê-las, a mágoa de as ter tido, a vergonha intelectual de as ter tido sabendo que teriam tal fim.”


Bernardo Soares

sábado, 8 de maio de 2010

All messed up


Quando se gosta, gosta-se sempre e não só às vezes. Eu raramente gosto, pois raramente gosto sempre. Normalmente só gosto aos bocadinhos. E aos bocadinhos não gosto de gostar.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Acordar para a vida IV (Cont.)

"Não se desenvolveram valores mais nobres. Raios, os gregos, há 3 mil anos eram tão avançados como nós! Quais são as barreiras que impedem as pessoas de alcançarem o seu verdadeiro potencial? A resposta a isso pode ser encontrada noutra pergunta, que é:

Qual é a característica humana mais universal? O medo ou a preguiça?"

Almas atormentadas

Eu conhecia-a bem, depois de muitos anos a conviver com ela sabia exactamente (ou quase exactamente) como ela era. E ela vivia atormentada por tudo e por nada.

Há pessoas assim, que parece que são perseguidas por um espírito negro. Para além de terem azar não conseguem lidar com ele nem conseguem fazer com que o espírito mude de cor.
Eu digo que são almas atormentadas porque para além de serem perseguidas por esse tal espírito parece que se alimentam dele. Mas o pior de tudo é que queixam-se muito e quando não se queixam sofrem em silêncio. E sofrem por tudo, porque o namorado não lhe ligou, porque o filho está a ter más notas, porque o colega chamou-lhe burra, porque o dia está cinzento...
E vivem atormentadas com tudo o que lhes acontece.

Se acontece algo de bom não acham assim tão bom, porque o namorado podia ter ligado mais cedo, porque o filho podia ter tido um 20 e não um 19, porque podia não estar tanto calor... E não há ninguém que tenha paciência para isto.
Porém, se sofrem em silêncio ficam pessoas com quem é ainda mais impossível de estar. Pessoas carrancudas que pensam que ninguém as compreende e ninguém as quer ouvir. E sentem-se mal. E nós somos influenciados por esse mau-estar.
Eu sou da opinião que deviam fazer um grupo de almas atormentadas, como os alcoólicos anónimos, e deviam-se juntar e falarem sobre o que os atormenta. Podia ser que se cansassem uns dos outros e tentassem encarar a vida de outra maneira. Podia ser que se vissem nas outras pessoas e percebessem o quanto impossíveis de lidar são.

Existe (quase) sempre uma solução para tudo, só não podemos ficar a ter pena de nós e do mundo e nada fazer. Por vezes o problema destas pessoas é não fazerem uma pausa, é não respirarem fundo, é preocuparem-se demais com as pequenas coisas, é não saberem o que é aproveitar a vida.

Alguém lhes devia dizer isto. Alguém devia fazer com que o espírito negro parasse de as perseguir, alguém lhes devia dizer que quem acaba por reencarnar o espírito negro são elas mesmas. Alguém lhes devia dizer que assim, nunca serão felizes.

domingo, 25 de abril de 2010

Acordar para a vida IV

"Há dois tipos de sofredores. Os que sofrem por falta de vida e os que sofrem por excesso dela. Eu sempre dei comigo na segunda categoria. Quando se pensa nisso, quase todo o comportamento e actividade humanos não é essencialmente diferente do comportamento animal. As tecnologias e o engenho mais avançado fazem-nos chegar ao máximo até ao nível do super-chimpanzé. Na verdade, o fosso entre Platão e o ser humano comum é maior que aquele entre o chimpanzé e o humano comum. O domínio do verdadeiro espírito, do verdadeiro artista, do santo, do filósofo, raramente é atingido. Porquê tão poucos? Porque razão a História e a evolução não são histórias de progresso mas uma interminável e fútil adição de zeros?"

Liberdade

Parece ser um conceito simples. No entanto, é deveras complicado.

Olhei para os teus olhos e quase me senti obrigada a pedir-te desculpa. Por não te dar a liberdade que precisas. Por ter visto no teu olhar uma tristeza enorme.
Todos nós, humanos ou outro tipo de animais, precisamos de uma certa liberdade, de nos sentirmos livres de alguma forma. Se eu, que sou humana e vivo supostamente num mundo livre, sinto-me tantas vezes presa, imagino tu, um mero animal, agarrado a uma casota e a uma trela para o resto da vida. Sei que te sentes incomodada com isso. Sei que não é isso que queres para ti. (Para a minha cadela)

Não me venham com coisas que os animais, por não serem responsáveis, não saberem o que fazem ou não terem consciência, não têm Liberdade. Não me venham com filosofias que digam que a Liberdade é um conceito criado a partir do homem. Não me venham com tretas pois Liberdade era o que mais havia antes de existirmos.
Hoje em dia é difícil encontrar a Liberdade no seu estado puro. Isto se sequer existir.

Liberdade… Se for ver ao dicionário: Gozo dos direitos do homem livre; faculdade de uma pessoa poder dispor de si; autonomia; privilégios.
Vou agarrar esta última definição. É um privilégio sermos livres? É um privilégio sentirmo-nos livres? Acredito que sim. A maior parte das pessoas e dos animais não são livres. Estão agarrados a alguma coisa que os impede de o serem. Dou o exemplo do meu peixe que é obrigado a estar num aquário minúsculo todos os dias a nadar de um lado para o outro, seria livre se pudesse nadar onde lhe apetecesse, mas não pode.
Mais uma vez, este conceito de Liberdade é difícil de definir. O meu peixe também não pode voar, e é isso que o faz ser menos livre?

Depois do 25 de Abril as pessoas, cá em Portugal, eram mais livres? Depende. As pessoas sempre foram livres de fazer ou dizer o que quisessem, simplesmente havia consequências para essas acções. As pessoas eram livres de escolher se queriam acarretar com elas ou não.
Ser livre… È sentir-se bem com a vida, é sentir-se um ser pleno. (a minha definição)
Há pessoas que não são totalmente “livres” e sentem-se bem com essa não Liberdade. Basta estarmos presos a algo que gostamos. Basta taparem-nos os olhos para as Liberdades que não temos.

Por mais que queiramos não podemos voar por nós próprios sem precisar de uma máquina. Nunca seremos totalmente livres. E a Liberdade será sempre subjectiva.

És livre? Se calhar pensas que sim e não o és. Se fosses livre estarias mesmo aqui neste momento? Serias mesmo quem és?

sábado, 27 de março de 2010

Acordar para a vida III

"O que viste foi a evolução das populações, não dos indivíduos."

E sendo assim será mesmo uma evolução?
Não uma que interesse, certamente.

As pessoas não têm evoluído como pessoas.
E é isso que estraga o sistema todo.
Tenho uma aparência horrível!

Resposta: "Qualquer critério de gosto é unicamente contemplativo, e não faz mais do que vincular a sua natureza com um sentimento de prazer ou de pena. Esse critério de gosto não representa, pois, um critério de conhecimento e não é, por conseguinte, lógico. Refere-se apenas a uma pura e simples interpretação." Kant

Receio a morte.

Resposta: "É estúpido afligir-se por a morte nos esperar, pois trata-se de algo que, depois de chegar, já não nos pode fazer mal. Habitue-se a pensar que a morte não é nada: enquanto estamos vivos, não faz parte dos nossos desígnios; quando estamos mortos, já deixámos de existir. Estúpido é aquele que declara recear a morte, não por ser assustador quando chega, mas por ser assustador esperá-la." Epicuro

Fonte: Revista Super Interessante de Março.

Não é para fazer sentido

Ao fundo havia paisagens de montanhas, paisagens de um verde lindíssimo. Eu fechava os olhos e respirava fundo. (fiz isso algumas vezes) Ouvia-se a natureza no seu estado mais puro, até o sol veio fazer-me uma visita e deixou-se ficar.
De repente senti uma presença, abri os olhos e vi-o a ele, a quem tinha andado tão incessantemente à procura nas últimas semanas. Mal o vi, abri muito os olhos e a boca de espanto e abracei-o com força...
Quando voltei a mim larguei o seu corpo alto e forte, rebaixei os olhos para o chão e pedi desculpa.
Ele ficou a olhar para mim com o seu ar de intelectual e com um sorriso na ponta dos lábios e disse-me:
- Engraçado, não te via uma pessoa emotiva.
- Ninguém o vê. (Inspirei e expirei...) A verdade está sempre naquilo que não se vê. No mistério de todas as pessoas e de todas as coisas.
- Lá isso é verdade... - Olhou para a paisagem e continuou - O que viste em mim?
- Um mundo diferente. Não melhor nem mais bonito, apenas diferente. Gosto do diferente. Porque não é igual. Gosto que não seja igual.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Acordar para a vida II

"Há 6 mil milhões de pessoas no Mundo. Ainda assim, os nossos actos fazem a diferença.
Nunca devemos anular-nos e ver-nos como vítimas de forças superiores. Quem somos é sempre decisão nossa!"

Dia internacional da mulher

Desde já, sublinho que não concordo com este dia. Quer dizer se a ideia era lutar contra a discriminação de sexos, apenas vejo uma grande discriminação ao fazer este dia só para as mulheres. Mas percebo o porquê, e realmente houve muitas injustiças cometidas às mulheres no passado. E é para relembrar que as mulheres são um ser íntegro e com direitos tal e qual os homens que passo a citar este poema:

Calçada da Carriche

"Luísa sobe, sobe a calçada,
sobe e não pode,
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa sobe,
Sobe que sobe,
sobe a calçada(...)

Chegou a casa,
não disse nada.
Pegou na filha,
deu-lhe a mamada;
bebeu da sopa,
numa golada,
lavou a loiça,
varreu a escada;
deu jeito à casa,
desarranjada,
coseu a roupa,
já remendada;
despiu-se à pressa,
desinteressada,
caiu na cama,
de uma assentada;
chegou o homem,
viu-a deitada;
serviu-se dela,
não deu por nada (...)"

António Gedeão

sábado, 6 de março de 2010

Nem tudo tem um título

Vivemos num mundo em que existem pessoas diferentes dentro de uma só pessoa, são as pessoas virtuais e as pessoas de carne e osso.
Podem parecer diferentes mas no fundo são pessoas dentro de um só corpo e de uma só alma.
Elas é que não se vêem como um todo.
Não gosto do tipo de pessoas que a sociedade moderna criou...

A pandilha 1996 *.*



Uma brisa nova

"Amigo, deixa de pensar
As coisas já não vão mudar
Se chorares na praia
Não vais poder ver o mar
Sentido o que sentes tu
Sozinho sempre a reviver
Os anos mais bonitos
Passam a correr

Sempre brilha o Sol e há uma canção
Há uma esperança em cada ilusão
Após cada noite há um despertar
Uma brisa nova para sonhar
Sempre que amanhece há uma razão
Para que se alegre o teu coração
Vive como o Sol, lá em cima a brilhar
Deixa de estar triste, deixa de chorar

Se um dia te faltar o amor
Sem medo de desesperar
Lutando dia a dia
Volta sempre a começar
A vida é quase sempre assim
Gira, gira sem parar
Sorri e olha p´ró alto
Deixa de chorar

Sempre brilha o Sol e há uma canção
Há uma esperança em cada ilusão
Após cada noite há um despertar
Uma brisa nova para sonhar
Sempre que amanhece há uma razão
Para que se alegre o teu coração
Vive como o Sol, lá em cima a brilhar
Deixa de estar triste, deixa de chorar"

Adorava estas músicas quando era pequena...
Oh se calhar só as adoro agora...*.*

Não encontrei nenhum vídeo no youtube destas músicas... =(

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Ar

Flutuo fora do meu corpo. Sou ar e ar apenas. Continuo a ter sentimentos e pensamentos e desejos mas não tenho corpo e não me podem tocar fisicamente. Apesar disso, tenho alma e se alguém quiser ainda pode entrar nela. Apenas preciso de saber a verdade sobre mim, sobre o ser que sou. Eu sou eu. Sem corpo ou com corpo, não deixo de ser eu. Cheia de dúvidas, receios, esperanças, sonhos. E é isso que me constituí. Não o cabelo que outrora foi meu, não as pernas com que andava, não as mãos com que escrevia. Nada disso interessa, nada disso sou eu... Continuo a flutuar por aí, como o vento, como a brisa. E sou livre, finalmente. Pois não estou presa a um corpo, porque não estou fechada dentro de um crânio. Sou livre, sou ar, sou simplesmente eu. Sem mais nada, só eu.
(E sinto-me aliviada e completa, como nunca me senti antes.)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Palavras para quê? (cores à menina eu sei...)

Normalmente vivemos a falar, vivemos por conversas e em conversas, vivemos pelo que os outros dizem e pelo que dissemos, dizemos ou devíamos dizer...

Mas será essa a melhor forma de viver?
Não será tudo o que não se diz mais importante?
Não serão os gestos, os olhares e os toques o mais significante?
O que interessa não será o que não é dito nem pode ser falado?

Não seria tudo muito melhor se não precisássemos de falar para ser compreendidos?
Não seria?!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Um abraço prolongado,
Um elogio continuado,
Uma palavra sentida,
Um carinho demonstrado,
Uma prenda especial,

Isto é o essencial.

Acordar para a vida

"Receio que estejamos a perder as virtudes de viver apaixonadamente, assumindo responsabilidades por quem somos, fazendo algo por nós e estando bem com a vida."

Holly moment (Acordar para a vida)

Conversa entre dois gays:

- O cinema, na sua essência é sobre a reprodução da realidade.

- Ou seja, a realidade é reproduzida.

- Pois. Mas a literatura é melhor para contar uma história.

- Eu gosto de filmes! E até acho que os melhores guiões não dão os melhores filmes.

- Pois não! Porque não se deve ficar escravo da narrativa.

- Há narratividade no cinema porque tem compasso, como a música. Mas não se pensa na história da canção. Surge do momento.

- Pois é. Queres ter um desses momentos agora?

-Quero.

(Olhos fixados um no outro. )

(Os olhos começam a brilhar...)

O resto da história é inapropriada para menores de 16 anos. xD

*Cena de um filme. Só acrescentei a parte final para poder gozar com esta cena extremamente gay. XD
Naquele dia de manhã olhei-me ao espelho. E a minha cara fez-me lembrar alguma coisa...

Uns instantes a seguir apercebi-me que me fazia lembrar de tudo, menos de mim própria.
"O meu mundo não é como o dos outros. Quero demais, exijo demais. Há em mim uma sede de conhecimento e liberdade infinita. Uma angústia constante que nem eu mesma compreendo. Mas estou longe de ser uma pessimista. Sou antes de tudo, uma exaltada, com uma alma intensa, guerreira, atormentada. Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade do que se foi e do que ainda está por vir!..."

Amarelo sim, porque é bonito

Estou aqui em casa com um pão de chouriço numa mão e a escrever com a outra. E estou vestida com a roupa normal… Tenho um colar, um acessório que raramente uso mas hoje utilizei. E agora estou em casa, e por isso, podia despir todo este tecido e tirar o colar. Como podia acabar de sublinhar o texto que tenho á minha frente, como podia continuar a fazer o que estava a fazer á bocado, que já nem sei bem o que era... Hum atendi um telefonema, parece que vou comer pizza para o jantar. Hum, vou ter que encomendar a pizza. Não tenho vontade nenhuma, nem de fazer isso nem de fazer mais nada sem ser isto. Por mim ficava aqui a escrever indefinidamente. Até criar calos nos dedos, até me doer tanto a cabeça que ficasse imóvel, até que me arrancassem desta cadeira vermelha ou até que o computador bloqueasse. Por mim ficava aqui… A fazer companhia a mim própria até que a morte nos separe.

Ups, acabei de sujar o teclado com um bocado de chouriço… -.-



A Natureza é simples e pura e é tudo.

As pessoas nunca serão tudo serão sempre bocados da Natureza.