quinta-feira, 22 de março de 2012

Talvez não.

Tremia por todos os lados, estava frio no exterior mas sabia que não era só isso, sabia que tinha que decidir algo importante, um rumo, e decisões importantes deixavam-me a tremer de nervosismo. Tinha medo de tomar a decisão errada, tinha medo de me decidir oura vez pelo contrário, tinha medo de chorar mais uma vez, o vazio que eu já estava cansada de tentar gerir... Não queria decidir, queria deixar tudo assim, sem ter que dizer nada. Talvez a decisão viesse daí, talvez se eu não pensar, se nada disser, talvez tudo se componha, talvez consiga superar isto, talvez...
Alguém que me diga porquê é que confiamos sempre em pessoas que têm a palavra Idiota escrito na testa?
E como, alguém que me diga como, é que a palavra decepção nunca acaba?

quinta-feira, 15 de março de 2012

Não percas o contacto.


Quem não anda a pé não reconhece tão rapidamente o valor dos sítios e das pessoas. E perde muita coisa, perde uma vida mais preenchida e um melhor entendimento do que é a sociedade e o mundo na sua pureza nua e crua. Perde o calor de ver os outros viver, perde a experiência de reconhecer que o mundo continuaria sem nós, que não somos nada. Perde o contacto com uma toda existência alheia. 
Existe tanta coisa tão bela neste mundo que nos deixaria mais em paz se andássemos mais a pé. Para aprender que a vida é bela se a abraçarmos com humildade, humildade que deveria estar sempre incrustada em nós. O mundo continua e é belo, com todas as suas coisas menos boas. É belo e eu sei porquê, porque hoje andei a pé no centro da cidade, e vi o que poucos vêem e apreciam.
 Parar para ver e apreciar, é preciso parar para ver e apreciar.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mundo belo, cegueira humana


Existe uma beleza neste mundo que me ultrapassa e ao pé dela sinto-me pequena e inútil. 
Quero tocar nela, chegar até ela, infiltrar-me no seu conteúdo e forma. 
A beleza da natureza deixa-me emocionada e com a alma encharcada de um qualquer sentimento que não sei bem explicar qual é. 
Não consigo perceber como é que nós, humanos, nos transformamos neste tipo de robot que se levanta, come, e faz a sua rotina todos os dias igual sem apreciar a beleza que o mundo tem nas suas principais bases:  
o maravilhoso sol, o grandioso mar, a fantástica lua, o incrível pasto verde com os seus magníficos animais, o adorável vento, os pássaros a voar, os peixes a nadar, as formigas a trabalhar...
Os próprios sons da natureza são inexplicavelmente transcendentes, as palavras serenidade e paz são pouco para os descrever.
E nós, míseros humanos, não sabemos apreciar nada disto preferindo ficar enfiados em quatro paredes a olhar para uma máquina desprovida de vida. 
Já são poucos os que procuram sentir o mundo a pulsar sangue e que conseguem transformar-se a cada segundo que passa.

É um privilégio puder sentir o mundo, é um privilégio estar aqui, agora. 
E por ser um privilégio, uma prenda da vida, tenho vontade de derramar lágrimas não só dos olhos mas do coração.
Por ser tudo tão belo e ter-me sido dada a capacidade de ver, ouvir e sentir sinto-me abismalmente privilegiada.  

Estamos tão cegos, esta raça anda tão cega que já não sabe viver nem transformar-se a si própria a cada segundo que passa. 
Deixámos de ser um pedaço da natureza.
  E isto é o que mais me entristece e choca deixando-me com um sentimento de frustração que, por momentos, me devora inteira:  
mente, corpo e espírito.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

*.*

"expectativas desmoronadas e dilaceradas por olhos que não chegaram a abrir, corações que se fecharam a si mesmos, que negaram todas as palavras do Mundo, por acharem que só e para sempre pertenciam a um e a uma. mostrando que vão aguentar, que conseguem chegar ao fundo do túnel, caem. as forças são mortas pelo sentimento peculiar que acarreta um conjunto de acções manifestadas inconscientemente. todos os sons provenientes dessa sensação de mau-estar, de fraqueza e choro se multiplicam até chegarem ao seu próprio auge e serem obrigadas a mostrar-se ao mundo, a abrir a porta escura que as escondia, a derreter qualquer chão que as apoiasse e, finalmente, a aprenderem a aceitar dois lados. o coração é obrigado a criar prateleiras dentro de si, a construir compartimentos bem delimitados, obrigação essa que esmaga sentimentos e queima recordações." in como uma apóstrofe.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A música...

Era estranho como aquela música mexia comigo. Era estranho porque a música era tua.
E no entanto fazia-me quase chorar, e trazia à superfície emoções que eram tuas. 
Lembro-me de cantarmos várias vezes aquela música, lembro-me do fascínio que tu tinhas pelo rapaz que te fez fixar aquela música na tua cabeça e no teu coração. 
E cada letra, cada palavra daquela música mexia comigo ao lembrar-me desses tempos. 
Dos tempos em que me falavas das tuas coisas e eu tinha sempre uma palavra sábia para te dizer. Nos tempos em que me sentia útil e participativa na nossa amizade. Nos tempos em que ainda tínhamos uma ligação de amizade e entendimento... 
A música faz-me lembrar de ti a falares nele, de ti a suspirares por ele... 
As paixões sempre mexeram comigo... E tu eras importante e especial...
O raio da música faz-me chorar agora. E não consigo perceber se é        por ti?
por mim?
ou por nós?
?

domingo, 4 de dezembro de 2011

Sweet illusion...

Neste mundo desgraçado,
em que todos vivem armados,
é difícil sonhar,
é difícil conseguir amar...

Em crianças é nos dito,
que o mundo é um lugar feliz.
Mentiras que nos sabem bem,
a nós autênticos ignorantes,
ou falsos sábios.

Pensamos muito,
mas não conseguimos chegar à derradeira conclusão.
Talvez porque tudo o que queremos acreditar,
não existe.
Não na realidade real,
material,
aquela que se vê e que se toca.

Resguardamo-nos na realidade sonhada,
imaginada...
E logo sentimo-nos melhor.
  É uma ilusão.

Vivemos iludidos com a vida,
com o mundo,
e,
com nós próprios.

Sweet illusion they say.
Eu digo,
triste ilusão,
que faz com que sejamos,
fantoches,
bonecos,
baratas,
ratos,
bichinhos...
Triste ilusão,
que faz com que sejamos,
menos humanos.

Ou não.

Ou ser humano é isso,
e eu sou outra coisa.
Um outro ser,
um outro alguém,
um outro ninguém,
uma outra genuína e distorcida realidade.
Uma realidade invisível a todos os olhos.
Anormal.
Estranha.
Ridícula.
Estúpida.
Complicada.
Complexa.
Labiríntica.
Exigente.
Desesperante.
Mas autêntica e pura.
Minha.

E é com ela que tenho de viver/sobreviver.
Não me iludo,
nada é fácil e simples,
e o que é,
não tem valor real.
Só valor falso.
E com falsidade,
nunca me habituarei a viver,
nem que morra infeliz.
 Morrerei, ao menos, 
numa verdadeira infelicidade,
e não numa falsa felicidade.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A dor de sentir

Agora onde é que fico? 
No chão deste mundo acabado, a viver como um rato? 
Onde está o destino livre que me prometeste que teria? 
Diz-me porque é que espero eu por isto? 
Porque não dou meia volta e escolho outro sonho?  

Foi o que tu disseste que me fez ficar... 
Disseste que tudo iria mudar...
Disseste-me, com os teus olhos de uma cor transcendente e cheios de uma estranha magia, que a felicidade passa de vez em quando só temos de tentar encontrar a estação em que vai parar.
                                                                        Eu acreditei em ti...
A tua alma pareceu-me a mais pura,                     as tuas palavras as mais sinceras,                    o teu sorriso uma melodia para o meu coração... 
O teu corpo brilhava como o sol aos meus olhos e o teu cheiro falava comigo, sem palavras, que é a comunicação mais extraordinária e completa que existe...


Agora já passou algum tempo e eu fiquei na lama. 

E assim, com as mãos, a cara e a alma todas sujas ainda tenho esperança que voltes e que percebas que não encontrava a felicidade porque não te tinha a ti. 
Que não chegava até ao sonho porque era chegar à tua alma que eu queria.
Que não tinha um destino livre porque  tu... sempre me aprisionaste.
E continuas a fazê-lo. 
Longe ou perto. 
Hás-de fazer sempre parte de mim.
(In)felizmente.