sábado, 27 de julho de 2019

More of the same

Well, well...
I was better with words before. Words were so much more before.  Today I am lost in languages. I jump into English, Español, Português, Italiano...they all have a different intensity. I jump trough languages as I jump trough life. I dont have a destination but I try my best to enjoy the ride. Sometimes I am happy, the litlle things make me happy. Overall my life is a dream. But they are days that I look around and I cannot see the beauty that exists, I dont feel nothing. And this nothingness that follows me since I remember its hard to explain, its hard to put into words. Because when you put it into words you make it more real. And who wants a void as a reality?

AR

quarta-feira, 1 de maio de 2019

O amor não é isto

Pensei que não precisava de escrever sobre isto. Queria que não fosse importante. Mas é. Demorei um ano a perceber que é importante.
Queria dizer-te adeus, queria dizer-te que tinha visto em nós mais do que aquilo que nós alguma vez fomos. Queria dizer-te que a nossa amizade fazia sentido e que me dói como ao caraças que agora não faça. Queria te dizer que tenho pena que os nossos caminhos sejam hoje tão diferentes. Queria dizer-te que não lamento estar diferente. Não lamento ter escolhido tudo o que escolhi. Não lamento a pessoa que me tornei. Queria dizer-te que penso muito em ti e que não é fácil aceitar que já não temos nada em comum. Mesmo sendo a verdade.
Gostava de dizer-te muita coisa mas tenho ideia que não ias entender nem metade. Que ias culpar-me de tudo e fingir que não é nada contigo.
E talvez não seja.
Talvez sofra sozinha. Como sempre aconteceu.
O problema é só meu.
É difícil aceitar a solidão... E ao mesmo tempo é um vício.

AR

sexta-feira, 26 de abril de 2019

A insustentável leveza do ser

"Logo no início do Génesis está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e o gado. É claro que o Génesis é obra de um homem e não de um cavalo. Não é certo que Deus tenha verdadeiramente querido que o homem reinasse sobre as outras criaturas. É mais provável que o homem tenha inventado Deus para santificar o poder que usurpou à vaca e ao cavalo. Sim, o direito de matar um veado ou uma vaca é a única coisa acerca da qual a humanidade inteira está fraternalmente de acordo, mesmo durante as guerras mais sangrentas.
 Esse direito parece-nos natural porque somos nós quem está no topo da hierarquia. Mas bastaria que um terceiro se imiscuísse no jogo, por exemplo, um visitante vindo de outro planeta cujo Deus tivesse dito «Tu reinarás sobre as criaturas de todas as outras estrelas» e toda a evidência do Génesis seria imediatamente posta em questão. O homem atrelado a um tanque por um marciano, eventualmente grelhado no espeto por um habitante da Via Láctea, talvez se lembrasse então das costeletas de vitela que costumava cortar no prato e apresentasse (demasiado tarde) as suas desculpas à vaca."

Milan Kundera

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

O Movimento

25.05.2018

Dizem que demora 365/6 dias para que a Terra dê uma volta ao Sol. Ao mesmo tempo que vai girando em torno do seu próprio eixo. Um eixo que ninguém vê, ninguém viu e provavelmente nunca ninguém verá. Existem muitos movimentos dentro do movimento. Isso poderá ser um enigma ou um simples facto. Sempre que tento escrever coisas simples a profundidade salta para o meu colo. Não consigo não a embalar ao ritmo de uma melodia. Escolho sempre melodias suaves porque já existe falta de suavidade suficiente na vida. A vida é um bicho curioso, aliás vários bichos curiosos. Busco incessantemente conhecer todos esses bichinhos. Em vão. Não cabe dentro de nós todo o conhecimento. Entre tudo o que poderíamos saber o que realmente me interessa é: Saber apreciar o silêncio, conseguir sentir amor sempre que toco numa árvore, saber escutar o vento, entender a sabedoria da água e do fogo. O tempo não existe para a água e para o fogo. Que bom. Talvez seja devido à noção do tempo que nos perdemos no movimento da vida. Temos pressa porque sabemos que há um fim. Temos medo do fim. A ausência da nossa existência é um buraco negro do qual todos fugimos a sete pés. Fugas. Não queria escrever nada disto, a minha mão tem vontade própria. Assim como ninguém perguntou à Terra se queria continuar a girar à volta do Sol. A lei da atracção. Somos mais do que isso? 

AR

domingo, 13 de janeiro de 2019

Lágrimas

Há muita coisa que ainda não entendi na humanidade. Muitas perguntas sem resposta. Uma delas é porque é que a maior parte de nós não lida bem com o choro? Chorar à frente de outras pessoas parece o fim do mundo, colocam-nos uma etiqueta na testa com adjectivos como: frágil, fraco/a, criança, dependente, entre outros. Todos eles para diminuir as pessoas, todos eles dizendo que chorar não é aceitável dentro do mundo dos adultos.
Tudo isto é ridículo.
Saber que não estou confortável em chorar nem à frente de amigos que conheço há anos deixa-me com vontade de chorar.
Por vezes sinto que mais do que alguém para falar ou alguém para rir precisava de alguém com quem pudesse chorar. Que não fosse estranho ou desconfortável. Que fosse normal como respirar, como dizer uma piada.
Todos nós precisamos de chorar por um pormenor ou por algo mais complexo. Mas quem são as pessoas que sabem oferecer um ombro sem julgar, sem exagerar negativamente no significado do acto?
Não deveria ser tão difícil e no entanto se alguém chora à minha frente congelo, não sei o que fazer nem dizer. A sociedade não nos ensina nem a lidar com os nossos sentimentos e emoções nem a lidar com a dos outros. Parece me que andamos todos cegos, surdos e mudos. Há dias em que a humanidade foge de mim e outros em que me sinto cheio dela, em qualquer dos casos sinto o caos à minha volta. Tantos humanos que já se esqueceram de ser...e talvez eu também já o tenha esquecido.
Hoje está a ser um dia de lágrimas. Mas poucas porque aqui não é confortável chorar. Nem tenho um ombro que me diga: "Estou aqui para ti, vou chorar contigo, vamos chorar até tudo nos doer, até termos libertado todas as lágrimas, até o nosso nariz parecer uma batata, até nos apetecer rir novamente, até..."

AR

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Quero voltar aos países onde fui feliz. Quero ficar parada a fazer amigos. (?) Quero conhecer países novos.
 Quero fingir que sou normal. Quero continuar a ter este trabalho. Quero ter um trabalho que me permita ter hobbies. Quero ter tempo para escrever. Não quero parar de viajar. Quero amor. Não quero esperar por ele sentada. Quero voltar lá. Quero uma casa. Mas não quero sentir me isolada. Quero ler mais. Quero voltar ao ginásio. Quero mais uma viagem. Estou cansada da viagem. Estou cansada de estar quieta. Quero pessoas à volta. Já não posso com as suas vozes e com a sua não-companhia. Quero ser feliz. Mas não consigo ver que caminho tenho de escolher para sê-lo.

Fucked up me. Always here. When I am not there.

AR

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Decisões

Ser adulto é uma merda e no entanto é tudo aquilo que sempre quis. 
Sempre quis ter a liberdade que tenho agora. E durante uns anos fui feliz (?) ou pelo menos mais feliz que agora. 
Esta cena de ser adulto à séria e ter que tomar decisões é uma merda.
Tenho ideia que não cresci, que fiquei ali na adolescência a contorcer-me com todos os cantos bicudos da vida, a contorcer-me com todas as tragédias da humanidade, a contorcer-me com todas as mudanças que um novo dia trás, a contorcer-me também com todas as rotinas, em suma a contorcer-me a cada respiração. 
Fazia sentido na adolescência, é disso que é feita a adolescência, todas essas dúvidas, todos esses medos, todas as lamurias, furores, gritos de revolta, lágrimas... Agora não, agora já não pode fazer sentido, agora devia ser um caminho para a calma, para a certeza, para a estabilidade, para o pranto, para a os pés à lareira, para... Nunca quis nada dessa treta. Nem quero exactamente isso agora. 
Tenho ideia que a sociedade obriga-nos a escolher um caminho ranhoso e não existe nenhum caminho à minha medida. Não quero nada do que a sociedade me propõe. Pego nos papéis, rasgo-os aos bocadinhos, espalho-os pelo ar, dou um berro e vou a correr dar um mergulho.Olho à minha volta e estou sozinha no mar. Outra vez.
Portanto o que faria sentido seria ter juízo, pegar nos papéis, assinar alguma coisa e ficar quietinha. Não sei fazer isso, não sei como. A palavra quieta durante mais de uns meses dá-me comichão.
Decisões... Até quando consigo eu fugir delas sem me lixar à séria? E não será que já me lixei mais que uma vez? Quantas vezes já boicotei a minha própria felicidade? E até quando o continuarei a fazer?
Deveria ser a única com essas respostas, deveria querer ser feliz. Mas começo a duvidar da minha alma, começo a duvidar de toda a inteligência que parecia possuir, começo a duvidar da minha estrutura, do meu espírito, começo a duvidar das ligações dos meus neurónios, começo a duvidar da vida.
E posso não saber muita coisa mas sei que duvidar da vida é o meu ponto mais baixo e mais cego de sempre.

AR