sábado, 15 de outubro de 2011

Instabilidades


Há dias em que bate tudo. Em que a discussão com o vizinho nos faz chorar, a recordação de um ex-namorado nos dói como se o passado fosse presente, em que a melancolia vem ao de cima por vermos um arco-íris e não termos ninguém ao lado com quem partilhar essa visão. Em que um simples sorriso de uma criança faz-nos querer abraçá-la e um grito de um adolescente faz-nos querer gritar com ele... Há dias em que as emoções estão à flor da pele. E só gostávamos que por uma vez chegássemos ao fim do dia sabendo que não passa daquela sensibilidade extra que, por vezes, temos. Mas não, chega-se ao fim do dia com a certeza de que não é nenhuma sensibilidade extra é mesmo um vazio que tens em ti, que te faz chorar por tudo e por nada, suspirar por tudo e por nada… Viver por nada…
Chegas ao fim a perceber que a infelicidade prolongada causa isto. Estas instabilidades.

domingo, 9 de outubro de 2011

Mistura de sensações


As sensações são, por vezes, incríveis. E há dias em que acordamos cheios delas. Como hoje.

Vou à janela e até o cheiro a nada me faz lembrar mil e uma coisas diferentes. Olho para as casas lá longe num monte perto do meu e elas fazem-me lembrar todas as casas que eu nunca tive mas que sei que um dia terei. O céu enche-me de qualquer coisa que não sei descrever e sinto-me o Fernando Pessoa num dos seus dias de Bernardo Soares. (excepto que se fosse mesmo ele saberia, certamente, descrever o que sentia) No entanto, sei que não sou Bernardo Soares por uma simples razão: tenho esperança...

Hoje todas estas sensações, apesar de mortas, imaginárias e não concretas, são minhas e isso ninguém me pode tirar. É como a esperança que está envolta nestas sensações, em cada uma delas.
E o dia passa e foi só mais um dia. Mas chega a noite e todas as sensações voltam sem eu as chamar. Vou à janela e olho para a lua, quase que me cai uma lágrima no olho: memórias, porra, memórias. E vejo as luzes lá longe nos montes ao lado do meu, e todas aquelas luzes brilham de uma maneira que eu nunca as vi brilhar e olho novamente para a mesma casa e vejo as janelas dessa mesma casa e vejo as pessoas que lá vivem a andar de um lado para o outro e de repente apetece-me estar lá e dizer-lhes olá e de repente começo a imaginar coisas que já nem sei bem quais são.

Começo apenas a imaginar, a mil a hora, imagem após imagem, coisas que não fazem realmente sentido mas que fazem sentido ali, naquele momento.
Sinto-me bem mesmo assim. Turbilhão de sensações e emoções. Mas sinto-me bem.
Melhor isto que não sentir nada, que não ver nada, que não querer nada, que não imaginar e não sonhar nada.
 O nada costuma ser o meu mundo. Portanto é sempre bom ir a Marte e voltar.
E voltei. E agora Arlabunakti que vou dormir.

domingo, 28 de agosto de 2011

Short Story II




"Se alguém não gosta de ti no teu pior então, certamente, não te merece no teu melhor." Foi algo que aprendi com a Marilyn Monroe. E ela não podia ter mais razão!
Diz-me porque é que estás a fazer um esforço para esconderes os teus defeitos se, ainda por cima, nunca vi fazerem tal esforços por ti?
Perdoar e ultrapassar é uma coisa, agora perdoar, esquecer e voltar ao mesmo, é simplesmente, estúpido.
Estamos aqui para andar para a frente não para trás.

Lembra-te disso.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Observando e reflectindo

Hoje estava a andar pela areia da praia quando vi um rapaz deitado na areia a falar ao telemóvel. Até aqui tudo normal. Mas quando passei por ele, 1 hora depois, lá continuava ele deitado na areia a falar ao telemóvel sem ter tirado sequer a toalha da mala. Passaram-se mais duas horas e lá continuava ele, sozinho, a escrever no telemóvel, deitado na areia. Depois de 3 horas nisto vestiu a camisola e foi-se embora sem sequer ter pisado a água, que estava excelente.

Esta cena fez-me lembrar as pessoas que passam pela vida sem realmente a aproveitarem, esperando sempre por algo ou por alguém. Fez-me pensar que, ás vezes, as pessoas não conseguem ser livres sozinhas sentido-se demasiado sós para se sentirem livres. (Sentimo-nos muito mais livres quando estamos aprisionados a alguém que gostamos e esse alguém a nós.)

O rapaz veio à praia mas ao ver que estava sozinho não lhe apeteceu fazer nada sem ser procurar companhia. É uma daquelas muitas pessoas que passa pela vida sempre à procura de companhia para ser feliz.
Somos, basicamente, todos assim...
A única diferença é que alguns de nós ainda vivem a vida mesmo sem companhia e os outros simplesmente não conseguem...



Escrito no verão passado.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Só verdades

“Os jovens hoje vivem num presente perpétuo.”

“São incapazes de parar para pensar. (…) Há 20 anos, se lhes apresentava um problema difícil, era um desafio. Agora desistem. Ou começam a dizer hipóteses, como se fosse um concurso de televisão. A ideia que têm é que fala bem quem fala depressa, quem pensa e por isso demora um pouco mais não é bem visto. Não estão interessados. Não gostam de desafios. Não são obsessivos.”

“E, no entanto, os jovens são os menos culpados deste estado de coisas. Há as permanentes alterações do sistema de ensino – “as aulas de uma hora e meia, por exemplo, deixa-os saturados” -, as expectativas dos pais, o “bombardeamento diário com informação.” Tudo isto conduz a uma dificuldade de concentração. Ler um livro exige muito tempo, por isso lêem os resumos. “Querem tudo logo muito rápido.” Tudo o que demore “é chato, é uma seca”.

“É um erro pensar-se que as universidades vão preparar pessoas para o mercado de trabalho. O que é preciso é preparar jovens que sejam capazes de reflectir.”

“O Problema de Portugal é ter demasiada gente a fazer o que não gosta, a pensar nas férias da vida, ou na reforma da vida, para ir ser aquilo que gostaria de ter sido.”

Excertos do artigo As elites já não querem estudar letras da Revista Pública de 08.05.11

quarta-feira, 8 de junho de 2011

"A maior aventura de um ser humano é viajar, e a maior viagem que alguém pode empreender é para dentro de si mesmo. E o modo mais emocionante de a realizar é lendo um livro, pois um livro revela que a vida é o maior de todos os livros, mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas e descobrir o que as palavras não disseram: no fundo o leitor é o autor da sua história..."

Augusto Cury

sexta-feira, 22 de abril de 2011

No tittle

Estava no fundo e como ainda só estou a sair dele não sei se fiz bem em dizer-te o que disse. Mas não quero estar a complicar quando é bastante simples: tu nunca me agarraste quando ia a fugir nem sequer demonstraste preocupação em eu já não fazer parte da tua vida.
Nunca tinha certezas contigo e assim era impossível continuar.
Disse-te o que te disse porque não estou bem e não preciso de mais lembranças de ti para ficar pior.
Sabes que comigo as coisas são sempre o que são. E neste momento existe um vazio tão grande que já nada me interessa, incrivelmente, nem tu.