terça-feira, 31 de janeiro de 2012
*.*
"expectativas desmoronadas e dilaceradas por olhos que não chegaram a
abrir, corações que se fecharam a si mesmos, que negaram todas as
palavras do Mundo, por acharem que só e para sempre pertenciam a um e a
uma. mostrando que vão aguentar, que conseguem chegar ao fundo do túnel,
caem. as forças são mortas pelo sentimento peculiar que acarreta um
conjunto de acções manifestadas inconscientemente. todos os sons
provenientes dessa sensação de mau-estar, de fraqueza e choro se
multiplicam até chegarem ao seu próprio auge e serem obrigadas a
mostrar-se ao mundo, a abrir a porta escura que as escondia, a derreter
qualquer chão que as apoiasse e, finalmente, a aprenderem a aceitar dois
lados. o coração é obrigado a criar prateleiras dentro de si, a
construir compartimentos bem delimitados, obrigação essa que esmaga
sentimentos e queima recordações." in como uma apóstrofe.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
A música...
Era estranho como aquela música mexia comigo. Era estranho porque a música era tua.
E no entanto fazia-me quase chorar, e trazia à superfície emoções que eram tuas.
Lembro-me de cantarmos várias vezes aquela música, lembro-me do fascínio que tu tinhas pelo rapaz que te fez fixar aquela música na tua cabeça e no teu coração.
E cada letra, cada palavra daquela música mexia comigo ao lembrar-me desses tempos.
Dos tempos em que me falavas das tuas coisas e eu tinha sempre uma palavra sábia para te dizer. Nos tempos em que me sentia útil e participativa na nossa amizade. Nos tempos em que ainda tínhamos uma ligação de amizade e entendimento...
A música faz-me lembrar de ti a falares nele, de ti a suspirares por ele...
As paixões sempre mexeram comigo... E tu eras importante e especial...
O raio da música faz-me chorar agora. E não consigo perceber se é por ti?
por mim?
ou por nós?
?
domingo, 4 de dezembro de 2011
Sweet illusion...
Neste mundo desgraçado,
em que todos vivem armados,
é difícil sonhar,
é difícil conseguir amar...
Em crianças é nos dito,
que o mundo é um lugar feliz.
Mentiras que nos sabem bem,
a nós autênticos ignorantes,
ou falsos sábios.
Pensamos muito,
mas não conseguimos chegar à derradeira conclusão.
Talvez porque tudo o que queremos acreditar,
não existe.
Não na realidade real,
material,
aquela que se vê e que se toca.
Resguardamo-nos na realidade sonhada,
imaginada...
E logo sentimo-nos melhor.
É uma ilusão.
Vivemos iludidos com a vida,
com o mundo,
e,
com nós próprios.
Sweet illusion they say.
Eu digo,
triste ilusão,
que faz com que sejamos,
fantoches,
bonecos,
baratas,
ratos,
bichinhos...
Triste ilusão,
que faz com que sejamos,
menos humanos.
Ou não.
Ou ser humano é isso,
e eu sou outra coisa.
Um outro ser,
um outro alguém,
um outro ninguém,
uma outra genuína e distorcida realidade.
Uma realidade invisível a todos os olhos.
Anormal.
Estranha.
Ridícula.
Estúpida.
Complicada.
Complexa.
Labiríntica.
Exigente.
Desesperante.
Mas autêntica e pura.
Minha.
E é com ela que tenho de viver/sobreviver.
Não me iludo,
nada é fácil e simples,
e o que é,
não tem valor real.
Só valor falso.
E com falsidade,
nunca me habituarei a viver,
nem que morra infeliz.
Morrerei, ao menos,
numa verdadeira infelicidade,
e não numa falsa felicidade.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
A dor de sentir
Agora onde é que fico?
No chão deste mundo acabado, a viver como um rato?
Onde está o destino livre que me prometeste que teria?
Diz-me porque é que espero eu por isto?
Porque não dou meia volta e escolho outro sonho?
Foi o que tu disseste que me fez ficar...
Disseste que tudo iria mudar...
Disseste-me, com os teus olhos de uma cor transcendente e cheios de uma estranha magia, que a felicidade passa de vez em quando só temos de tentar encontrar a estação em que vai parar.
Eu acreditei em ti...
A tua alma pareceu-me a mais pura, as tuas palavras as mais sinceras, o teu sorriso uma melodia para o meu coração...
O teu corpo brilhava como o sol aos meus olhos e o teu cheiro falava comigo, sem palavras, que é a comunicação mais extraordinária e completa que existe...
Agora já passou algum tempo e eu fiquei na lama.
E assim, com as mãos, a cara e a alma todas sujas ainda tenho esperança que voltes e que percebas que não encontrava a felicidade porque não te tinha a ti.
Que não chegava até ao sonho porque era chegar à tua alma que eu queria.
Que não tinha um destino livre porque tu... sempre me aprisionaste.
E continuas a fazê-lo.
Longe ou perto.
Hás-de fazer sempre parte de mim.
(In)felizmente.
sábado, 15 de outubro de 2011
Instabilidades
Há dias em que bate tudo. Em que a discussão com o vizinho nos faz
chorar, a recordação de um ex-namorado nos dói como se o passado fosse presente,
em que a melancolia vem ao de cima por vermos um arco-íris e não termos ninguém
ao lado com quem partilhar essa visão. Em que um simples sorriso de uma criança
faz-nos querer abraçá-la e um grito de um adolescente faz-nos querer gritar com
ele... Há dias em que as emoções estão à flor da pele. E só gostávamos que por
uma vez chegássemos ao fim do dia sabendo que não passa daquela sensibilidade
extra que, por vezes, temos. Mas não, chega-se ao fim do dia com a certeza de
que não é nenhuma sensibilidade extra é mesmo um vazio que tens em ti, que te
faz chorar por tudo e por nada, suspirar por tudo e por nada… Viver por nada…
Chegas ao fim a perceber que a
infelicidade prolongada causa isto. Estas
instabilidades.
domingo, 9 de outubro de 2011
Mistura de sensações
As sensações são, por vezes, incríveis. E há dias em que
acordamos cheios delas. Como hoje.
Vou à janela e até o cheiro a nada me faz lembrar mil e uma
coisas diferentes. Olho para as casas lá longe num monte perto do meu e elas
fazem-me lembrar todas as casas que eu nunca tive mas que sei que um dia terei.
O céu enche-me de qualquer coisa que não sei descrever e sinto-me o Fernando
Pessoa num dos seus dias de Bernardo Soares.
(excepto que se fosse mesmo ele saberia, certamente, descrever o que sentia)
No entanto, sei que não sou Bernardo Soares por uma simples razão: tenho
esperança...
Hoje todas estas sensações, apesar de mortas, imaginárias e
não concretas, são minhas e isso ninguém me pode tirar. É como a esperança que
está envolta nestas sensações, em cada uma delas.
E o dia passa e foi só mais um dia. Mas chega a noite e
todas as sensações voltam sem eu as chamar. Vou à janela e olho para a lua,
quase que me cai uma lágrima no olho: memórias,
porra, memórias. E vejo as luzes lá longe nos montes ao lado do meu, e
todas aquelas luzes brilham de uma maneira que eu nunca as vi brilhar e olho
novamente para a mesma casa e vejo as janelas dessa mesma casa e vejo as
pessoas que lá vivem a andar de um lado para o outro e de repente apetece-me
estar lá e dizer-lhes olá e de repente começo a imaginar coisas que já nem sei
bem quais são.
Começo apenas a imaginar, a mil a hora, imagem após imagem,
coisas que não fazem realmente sentido mas que fazem sentido ali, naquele momento.
Sinto-me bem mesmo assim. Turbilhão de sensações e emoções. Mas sinto-me bem.
Melhor isto que não sentir nada, que não ver nada, que não
querer nada, que não imaginar e não sonhar nada.
O nada costuma ser o
meu mundo. Portanto é sempre bom ir a Marte e voltar.
E voltei. E agora Arlabunakti que vou dormir.
domingo, 28 de agosto de 2011
Short Story II
"Se alguém não gosta de ti no teu pior então, certamente, não te merece no teu melhor." Foi algo que aprendi com a Marilyn Monroe. E ela não podia ter mais razão!
Diz-me porque é que estás a fazer um esforço para esconderes os teus defeitos se, ainda por cima, nunca vi fazerem tal esforços por ti?
Perdoar e ultrapassar é uma coisa, agora perdoar, esquecer e voltar ao mesmo, é simplesmente, estúpido.
Estamos aqui para andar para a frente não para trás.
Lembra-te disso.
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