Ontem estava rodeada de desconhecidos, estávamos todos a conversar sobre o tudo e o nada. De repente, um deles pega no telemóvel e diz que não enviou nenhuma mensagem de ano novo a ninguém, que se calhar devia fazê-lo. Disse-lhe que enviasse à primeira pessoa de que se lembrasse naquele momento. Rapidamente disse-me que se lembrou da ex-namorada. Natural - respondi eu.
Após este episódio, fiquei a pensar. Fiz-me a mim mesma, a mesma pergunta. Tentei ver quem aparecia na minha mente. Debrucei-me sobre o assunto por mais segundos do que era suposto.
Incrivelmente, um vazio.
Nem uma única pessoa brilhou nos meus pensamentos. Nem uma réstia de vontade de enviar mensagens seja a quem for. Nem família. Nem amigos. Nem ex-amantes. Nem nada.
Porém, não foi este pensamento que me surpreendeu. O que me surpreendeu foi a apatia com que pensava nisto tudo.
Sei que em tempos este pensamento teria-me devastado. No entanto, naquele momento, não sentia absolutamente nada. Nem tristeza, nem solidão, nem decepção, nada.
Não soube, nem sei o que fazer com este nada. Embora, talvez seja a primeira vez na minha vida em que prefiro o nada à mágoa de uma felicidade que já não existe, de uma companhia que, provavelmente, nunca existiu, de uma compreensão e empatia que sempre andaram desaparecidas, de algo mais, que ao pensar sobre isso sempre foi tão efémero e fugidio. Como o tempo.
Talvez esta apatia venha do reconhecimento da minha própria culpa nisto. Temos o amor que damos. Se somos uma divisão de quatro paredes sem portas nem janelas estamos condenados ao vazio.
Agora, depois do reconhecimento a pergunta é simples: Queremos construir janelas e portas ou queremos pintar as paredes de outra cor?
A ponderar.
AR
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Tento perceber-te. Vou à janela mil vezes e olho para ti. Faço um esforço para ouvir o que estás a tentar dizer-me.
Não falamos a mesma língua. Ouço o que parece ser sofrimento vindo de ti. Quero que estejas bem. Que não sofras. Mas não sei o que precisas.
Vejo-te a olhar para a rua, não sei para onde olhas. Parece que sentes falta de algo ou de alguém, não te entendo.
Desejo tanto entender-te, falar contigo e fazer com que tudo fique bem.
Nada é assim tão fácil.
Continuas a uivar e a ladrar. Já te dei algo para comer. Já te fiz festinhas. Continuas a andar de um lado para o outro. Não sei o que se passa.
Espero que seja algo pouco importante. Não consigo entrar na tua mente. És como um bébé.
Não termos ainda aprendido a comunicar com os animais é a maior falha dos nossos tempos. Não há muita gente que queira saber. Porque somos cada vez menos alma, menos coração.
Não consigo dormir. Tu não estás bem. Eu não sei o que tens. Não consigo dormir.
O problema é que usar mais o coração é tantas vezes doloroso. E pior, raramente nos leva a algum lado. Mas não interessa, leva-nos pelo único caminho por onde vale a pena andar.
Sossegaste. Posso sossegar também.
Não falamos a mesma língua. Ouço o que parece ser sofrimento vindo de ti. Quero que estejas bem. Que não sofras. Mas não sei o que precisas.
Vejo-te a olhar para a rua, não sei para onde olhas. Parece que sentes falta de algo ou de alguém, não te entendo.
Desejo tanto entender-te, falar contigo e fazer com que tudo fique bem.
Nada é assim tão fácil.
Continuas a uivar e a ladrar. Já te dei algo para comer. Já te fiz festinhas. Continuas a andar de um lado para o outro. Não sei o que se passa.
Espero que seja algo pouco importante. Não consigo entrar na tua mente. És como um bébé.
Não termos ainda aprendido a comunicar com os animais é a maior falha dos nossos tempos. Não há muita gente que queira saber. Porque somos cada vez menos alma, menos coração.
Não consigo dormir. Tu não estás bem. Eu não sei o que tens. Não consigo dormir.
O problema é que usar mais o coração é tantas vezes doloroso. E pior, raramente nos leva a algum lado. Mas não interessa, leva-nos pelo único caminho por onde vale a pena andar.
Sossegaste. Posso sossegar também.
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Tamera - A viagem II
Demorei algum tempo a voltar ao que aprendi em Tamera. Talvez porque, infelizmente, Tamera e o mundo cá fora ainda são tão diferentes.
É difícil voltar a Tamera, é difícil pois tudo à nossa volta nos puxa para outro lado. Sei que fisicamente tenho de lá voltar, pois quero ficar com Tamera presente por mais tempo, quero que seja real. Cansada de memórias.
Queria escrever sobre algo interessante que aconteceu em Tamera e que só agora passado tanto tempo estou a deixar por escrito:
Dentro da comunidade tínhamos o nosso grupo constituído por pessoas que falavam português. O nosso grupo era bastante diverso, tínhamos pessoas a vir de outro continente, homens e mulheres, mais novos e mais velhos, todos com profissões diferentes ou sem profissões, éramos todos muito diferentes, ainda o somos. Porém, os nossos sorrisos eram todos genuínos, tínhamos todos uma mente e alma abertas, queríamos aprender a ser mais. Estávamos todos lá para isso.
Os dias foram passando e para mim houve uma pessoa que se destacou mais do que as outras. É difícil explicar o porquê. Apenas sentia que a sua energia era maravilhosa, parecia que emanava um brilho dos poros da pele. Inicialmente achei curioso este carinho quase à primeira vista. Vi nela algo de mim, mas vi mais do que isso. Vi uma ingenuidade pura, a liberdade representada numa pessoa, vi inteligência na sua forma mais simples: sabedoria crua. Vi o que podia ser uma vida inteira de lições e ao mesmo tempo um vazio por preencher. Lembrou-me a minha essência, o que sempre fui, em versão melhorada, tanto fisicamente como psicologicamente.
Tudo isto era novo para mim. Todas estas emoções e sensações vindas de interacções com uma mulher.
Pensei que estava a ficar louca. E depois pensei melhor.
Tamera é o sítio ideal para fazer-te sentir as coisas como elas são e não procurar respostas, sentidos para coisas que não precisam de resposta e não precisam de sentido.
Lá, percebi que o amor vem em todas as formas, por vezes nem vai ser uma questão de sexualidade mas apenas de deixar-mo-nos sentir aquilo que sentimos. Sem rédeas, sem culpas, sem questões metafísicas, sem pensar muito sobre isso.
Tudo o que seja sentir, não é para pensar. Quando fazemos ambos tudo se destrói.
E foi assim, que pela primeira vez na vida pensei que podia amar uma mulher.
Não sei se poderia ter algo de sexual com ela, mas saber que podia amá-la deixou-me, incrivelmente, aliviada.
Afinal o amor é tão maior do que aquilo que o restringimos a ser.
(To be continued)
É difícil voltar a Tamera, é difícil pois tudo à nossa volta nos puxa para outro lado. Sei que fisicamente tenho de lá voltar, pois quero ficar com Tamera presente por mais tempo, quero que seja real. Cansada de memórias.
Queria escrever sobre algo interessante que aconteceu em Tamera e que só agora passado tanto tempo estou a deixar por escrito:
Dentro da comunidade tínhamos o nosso grupo constituído por pessoas que falavam português. O nosso grupo era bastante diverso, tínhamos pessoas a vir de outro continente, homens e mulheres, mais novos e mais velhos, todos com profissões diferentes ou sem profissões, éramos todos muito diferentes, ainda o somos. Porém, os nossos sorrisos eram todos genuínos, tínhamos todos uma mente e alma abertas, queríamos aprender a ser mais. Estávamos todos lá para isso.
Os dias foram passando e para mim houve uma pessoa que se destacou mais do que as outras. É difícil explicar o porquê. Apenas sentia que a sua energia era maravilhosa, parecia que emanava um brilho dos poros da pele. Inicialmente achei curioso este carinho quase à primeira vista. Vi nela algo de mim, mas vi mais do que isso. Vi uma ingenuidade pura, a liberdade representada numa pessoa, vi inteligência na sua forma mais simples: sabedoria crua. Vi o que podia ser uma vida inteira de lições e ao mesmo tempo um vazio por preencher. Lembrou-me a minha essência, o que sempre fui, em versão melhorada, tanto fisicamente como psicologicamente.
Tudo isto era novo para mim. Todas estas emoções e sensações vindas de interacções com uma mulher.
Pensei que estava a ficar louca. E depois pensei melhor.
Tamera é o sítio ideal para fazer-te sentir as coisas como elas são e não procurar respostas, sentidos para coisas que não precisam de resposta e não precisam de sentido.
Lá, percebi que o amor vem em todas as formas, por vezes nem vai ser uma questão de sexualidade mas apenas de deixar-mo-nos sentir aquilo que sentimos. Sem rédeas, sem culpas, sem questões metafísicas, sem pensar muito sobre isso.
Tudo o que seja sentir, não é para pensar. Quando fazemos ambos tudo se destrói.
E foi assim, que pela primeira vez na vida pensei que podia amar uma mulher.
Não sei se poderia ter algo de sexual com ela, mas saber que podia amá-la deixou-me, incrivelmente, aliviada.
Afinal o amor é tão maior do que aquilo que o restringimos a ser.
(To be continued)
domingo, 12 de novembro de 2017
A Loucura é a verdade.
Vivo como se fosse ar. Saio de mim tantas vezes. Existo sendo partículas de passado e futuro. Tantas vezes não o meu passado, muito menos o meu futuro.
Partículas que sabem tudo e por isso sabem que é tudo irrelevante. Viver é irrelevante.
Todos estes detalhes humanos são irrelevantes.
Analiso tudo e saio da pele humana. Não me reconheço neste mundo.
Procuro pelo sentido. Quanto mais procuro mais me perco.
É tudo tão imperfeito e vazio.
Haverá um fim. É tudo constituído por fins e começos.
Não existe uma linha, um caminho, um sentido. Somos nada. Demasiados nadas.
Estou fora de mim e só assim me reconheço.
Quero largar o meu corpo.
Sinto tanto e ao mesmo tempo tão pouco. Viver é tão difícil.
O sofrimento de existir. De ter que lidar com elementos que não compreendo. De ter que lidar com a extensão da compreensão do mundo, em suma a soma das incompreensões de se ser humano. Não poder olhar o mundo e a vida de outra forma sem ser o olhar de um humano. O estar preso a este corpo e por isso ser tão pouco, o saber tão pouco.
Não quero existir assim. E a única esperança é desconectar.
Ser, não ser. Respirar, expirar. Fechar os olhos. Abrir a alma. Desaparecer.
Estou e não estou. Grito, estou em silêncio. Sorrio, quero chorar.
Tento entender. Não há nada para entender.O caos comanda isto tudo.
Exausta do limbo.
AR
Partículas que sabem tudo e por isso sabem que é tudo irrelevante. Viver é irrelevante.
Todos estes detalhes humanos são irrelevantes.
Analiso tudo e saio da pele humana. Não me reconheço neste mundo.
Procuro pelo sentido. Quanto mais procuro mais me perco.
É tudo tão imperfeito e vazio.
Haverá um fim. É tudo constituído por fins e começos.
Não existe uma linha, um caminho, um sentido. Somos nada. Demasiados nadas.
Estou fora de mim e só assim me reconheço.
Quero largar o meu corpo.
Sinto tanto e ao mesmo tempo tão pouco. Viver é tão difícil.
O sofrimento de existir. De ter que lidar com elementos que não compreendo. De ter que lidar com a extensão da compreensão do mundo, em suma a soma das incompreensões de se ser humano. Não poder olhar o mundo e a vida de outra forma sem ser o olhar de um humano. O estar preso a este corpo e por isso ser tão pouco, o saber tão pouco.
Não quero existir assim. E a única esperança é desconectar.
Ser, não ser. Respirar, expirar. Fechar os olhos. Abrir a alma. Desaparecer.
Estou e não estou. Grito, estou em silêncio. Sorrio, quero chorar.
Tento entender. Não há nada para entender.O caos comanda isto tudo.
Exausta do limbo.
AR
terça-feira, 5 de setembro de 2017
Tamera – A viagem I
A vida
leva-nos por caminhos interessantes a destinos inesperados.
É
interessante ver que quando nos guiamos pelo nosso instinto o resultado é
sempre positivo.
Vi-me
dentro de uma comunidade chamada “Tamera” sem saber muito bem o que estava ali
a fazer. Não sabia muito bem o que queria realmente retirar de uma experiência
a viver por uma semana num local longe de tudo, em que a comunidade é regionalmente
sustentável, fazem partos naturais, são Vegan, procuram aproximar-se o mais que
podem da Natureza sem esquecer totalmente as tecnologias e usando-as a favor da
sustentabilidade. Tinha ideia que queria aproximar-me deste mundo porque era o
mundo em que me fazia mais sentido viver. No fundo ao entrar nesta realidade
pensei que poderia sair de lá iluminada e que viesse a criar algo na mesma
linha cá fora. Ou a pelo menos seguir um certo caminho ainda mais relacionado
com a sustentabilidade.
Isso e
o free love. A curiosidade que tinha em relação ao amor livre era muita, queria
saber como é que as pessoas viviam com esse conceito, como faziam que
resultasse sem andarem todos à pancada.
A
semana que vivi em Tamera, foi uma semana profunda. Uma semana de meditação
sobre o interior e exterior. Sobre nós e os outros, sobre a nossa alma e o
mundo lá fora.
Interessante
que em vez de ter ideias sobre sustentabilidade, o que tive foi vontade de
fazer um caminho em direcção à paz. Não só interior mas exterior também. Tomei
algumas decisões nesse aspecto que espero que me levem a um futuro cheio de
esperança, trabalho e dedicação a uma causa que sempre teve dentro do meu
coração.
Explicar
o que se passa em Tamera é complicado mas tenho muito a agradecer-lhes.
Viver
em Tamera a longo prazo talvez não seja o paraíso que todos pensem que é, é
também um longo e árduo processo para que consigam viver todos em paz como
comunidade, para que consigam ser mais e melhor a cada dia que passa, para que
encontrem soluções para os problemas que a humanidade foi criando ao longo dos
séculos, alguns desses problemas que nos acompanham desde que nos tornámos
humanos e que se intensificaram com o aumento exponencial da população.
Existem
vários temas que são abordados em Tamera, quero escrever sobre os mesmos. A
comunidade fez-me ver vários temas com diferentes olhos, penso que sai de lá um
pouco diferente. Com objectivos diferentes, sensações diferentes, perspectivas
diferentes e certamente com uma maior paixão pela profundidade da vida.
(To be continued.)
AR
domingo, 3 de setembro de 2017
O encontro
Hoje conheci a Ana.
A Ana meteu conversa comigo numa paragem de autocarro no Porto.
Aproximou-se de mim e como se já me conhecesse começou a falar que podia ir a pé mas que as pernas dela já não lhe deixavam andar tanto e perguntou-me qual era o autocarro que parava naquela paragem. Depois respondeu à sua própria pergunta. Sorri e disse-lhe que ainda bem que ela sabia, porque eu não era do Porto.
A Ana falou um pouco mais sobre os autocarros e depois perguntou-me de onde era.
Eu respondi: - Lisboa.
Os olhos da Ana brilharam e comentou que ia a Lisboa várias vezes para ir ver exposições em Museus. E depois falou do MAAT, queria ir visitar o novo museu de Lisboa.
Entrámos no autocarro e a Ana perguntou-me para onde ia, disse-lhe que ia visitar Serralves e disse-lhe em que estação ia parar. Muito prontamente, ela disse-me que essa não era a estação mais próxima de Serralves. Levantou-se e foi confirmar com o motorista. Voltou, - Realmente essa não é a estação mais próxima. - Disse-me o nome da estação mais próxima.
Esbocei um enorme sorriso, agradeci-lhe e fiquei meio tonta com aquele gesto de bondade, humanidade, simpatia, empatia.
Ela perguntou-me se ia até lá sozinha. - Sim. - Respondi.
A Ana sorriu.
Confessou-me que sempre que ia a Lisboa ia sozinha e que todas as suas amigas ficavam muito surpreendidas por ir tão longe sozinha, nenhuma queria juntar-se a ela. Contou-me que apanhava o comboio das cinco da manhã, passava o dia em Lisboa e depois voltava para o Porto. Levantou-se, tínhamos chegado à sua paragem. Perguntou-me o nome. - Ana Rita. - Respondi.
- Eu sou a Ana sem Rita.
Saiu do autocarro.
Não olhou para trás.
As portas fecharam-se e o autocarro começou a andar.
Despedi-me, em silêncio, do meu futuro eu.
AR
A Ana meteu conversa comigo numa paragem de autocarro no Porto.
Aproximou-se de mim e como se já me conhecesse começou a falar que podia ir a pé mas que as pernas dela já não lhe deixavam andar tanto e perguntou-me qual era o autocarro que parava naquela paragem. Depois respondeu à sua própria pergunta. Sorri e disse-lhe que ainda bem que ela sabia, porque eu não era do Porto.
A Ana falou um pouco mais sobre os autocarros e depois perguntou-me de onde era.
Eu respondi: - Lisboa.
Os olhos da Ana brilharam e comentou que ia a Lisboa várias vezes para ir ver exposições em Museus. E depois falou do MAAT, queria ir visitar o novo museu de Lisboa.
Entrámos no autocarro e a Ana perguntou-me para onde ia, disse-lhe que ia visitar Serralves e disse-lhe em que estação ia parar. Muito prontamente, ela disse-me que essa não era a estação mais próxima de Serralves. Levantou-se e foi confirmar com o motorista. Voltou, - Realmente essa não é a estação mais próxima. - Disse-me o nome da estação mais próxima.
Esbocei um enorme sorriso, agradeci-lhe e fiquei meio tonta com aquele gesto de bondade, humanidade, simpatia, empatia.
Ela perguntou-me se ia até lá sozinha. - Sim. - Respondi.
A Ana sorriu.
Confessou-me que sempre que ia a Lisboa ia sozinha e que todas as suas amigas ficavam muito surpreendidas por ir tão longe sozinha, nenhuma queria juntar-se a ela. Contou-me que apanhava o comboio das cinco da manhã, passava o dia em Lisboa e depois voltava para o Porto. Levantou-se, tínhamos chegado à sua paragem. Perguntou-me o nome. - Ana Rita. - Respondi.
- Eu sou a Ana sem Rita.
Saiu do autocarro.
Não olhou para trás.
As portas fecharam-se e o autocarro começou a andar.
Despedi-me, em silêncio, do meu futuro eu.
AR
Buracas do Casmilo
Existem mil histórias para contar, o significado da vida para procurar, temas para debater, filosofias para apurar, relações para analisar, sentimentos para avaliar, problemas para desabafar e no entanto, sento-me, olho para o sol, fecho os olhos e fico a não-pensar.
De repente, já não existe nada para escrever.
Olho para a paisagem e sinto-me privilegiada.
Lembro-me que o estar aqui foi uma escolha minha e sinto orgulho.
Não posso criticar o meu trajecto, não posso pois foi tudo o que eu quis que acontecesse. Todo este caminho levou-me a estar aqui, agora. E como podia eu querer outra coisa?
Fecho os olhos porque o vento parou e fui conquistada pelo silêncio.
Por segundos senti a verdadeira beleza de se estar vivo.
Aos poucos o vento volta e é maravilhoso ouvi-lo voltar. A Natureza está a contar uma história e são realmente poucos os que prestam atenção. Sou feliz quando ouço a Natureza, sempre que o faço a vida faz mais sentido.
Em momentos como este esqueço-me de qualquer problema passado, presente ou futuro, esqueço-me que existem pessoas, esqueço-me até da minha própria existência.
Não há nada mais libertador que nos esquecermos da nossa existência e de tudo o que vem com ela.
Respiro fundo, respiro Liberdade e por momentos já nada mais interessa. A paz entra por todos os poros do meu corpo. Apetece-me ficar neste momento para sempre.
AR
De repente, já não existe nada para escrever.
Olho para a paisagem e sinto-me privilegiada.
Lembro-me que o estar aqui foi uma escolha minha e sinto orgulho.
Não posso criticar o meu trajecto, não posso pois foi tudo o que eu quis que acontecesse. Todo este caminho levou-me a estar aqui, agora. E como podia eu querer outra coisa?
Fecho os olhos porque o vento parou e fui conquistada pelo silêncio.
Por segundos senti a verdadeira beleza de se estar vivo.
Aos poucos o vento volta e é maravilhoso ouvi-lo voltar. A Natureza está a contar uma história e são realmente poucos os que prestam atenção. Sou feliz quando ouço a Natureza, sempre que o faço a vida faz mais sentido.
Em momentos como este esqueço-me de qualquer problema passado, presente ou futuro, esqueço-me que existem pessoas, esqueço-me até da minha própria existência.
Não há nada mais libertador que nos esquecermos da nossa existência e de tudo o que vem com ela.
Respiro fundo, respiro Liberdade e por momentos já nada mais interessa. A paz entra por todos os poros do meu corpo. Apetece-me ficar neste momento para sempre.
AR
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