sábado, 30 de março de 2013

O Jogo

Ciclo viciado. 
Dado marado. 
Jogo trocado. 
Mal amado, saturado. 
Cansado dos números que são sempre os mesmos.
 Repetem-se sem serem chamados. 
Danados
A matemática da vida que traz sempre tantos problemas. 
Resolve esse dilema, sê fiel, sê gentil, sê tu mesma. 
A volta que tudo dá. 
O ponto a que tudo chega. 
Parece tudo tão fácil e depois até o vento te nega.
 Dores aparecem do nada, a alucinação começa.
Sentes-te menos tu e já nada mais interessa. 
Continuas cá mas não sabes que cá estás. 
Porque a vida não te chama e tu adormeces no sofá. 
Acordas com as costas doridas, querias tomar banho num spa. 
    Acordas mas é para a vida que assim não chegas lá.
 Lá onde?
 Perguntas tu. 
E eu sei lá. 
É um onde que te leva a sair do sofá. 
Desligas a tv e silêncio se faz.
 Precisas de barulho para sentires que não estás a ficar para trás. 
O vento faz-te esse favor, dando um ar de sua graça.
 Agradeces-lhe com o pensamento mas o som dele não basta.
Voltamos sempre ao mesmo, a esta vida viciada. 
Parece que estou em Las Vegas e a roleta não pára.
 Resignada já estou, falta-me só aguentar.
 No fim ganho o jackpot e se não ganhar... dou um pontapé na máquina e fujo para fora daqui. 
Que já estou farta de apostar em mim.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

História surreal

Tu pensas que já tinha acabado.
Pensas que o ponto final está dado.
Depois vem a nuvem negra,
E tu suspiras...
 Tentas pôr ao menos uma vírgula,
 Continuando a escrever a tua história.
Apercebeste que já nada escreves,
Que as palavras são fúteis e sem significado,
No entanto continuas a tentar.
E lá colocas o que pensas ser o ponto final definitivo.
E é o,
durante dias, semanas, meses, anos...

Até um dia em que volta tudo outra vez

Tu entendes, nesse momento, 
que não existem pontos finais
existem apenas vírgulas e reticências...
E que o fim,
 esse,
 não existe
Existe apenas o começo,
todos os dias,
a todo o momento,
até te cansares de escrever
e morreres de tédio desta história surreal 
a que chamamos vida
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Aqui e agora



Os desejos de uma vida,
Não são estáticos,
As nossas crenças,
Não são certezas.
As amizades e as pessoas,
 não são dados adquiridos.

O sol não brilha,
Sempre para o mesmo lado.
o vento não sopra,
sempre na mesma direcção.

O que somos,
Não é certo.
E o certo nem sempre,
é o oposto do errado.

O que tu queres agora,
Não vais querer amanhã.
O que tu gostas hoje,
Vais, um dia, deixar de gostar.

O importante,
Vai deixar de ser essencial.
E vais perceber, no fim,
Que afinal nada percebes.

Que as certezas não existem,
Que o mundo não é só novelas,
Que as pessoas te vão enganar,
Que os melhores e mais importantes te vão decepcionar,
Que os vais desculpar,
E vão-te voltar a enganar.
E claro, vai-te custar,
Mas vais acordar,
 e vais melhorar.

E é assim.

Tudo o que existe,
É este momento:
Aqui e agora.
Se deres valor a isso,
Entendes tudo,
Ou melhor,
Entendes que não precisas de entender.

Passarás a viver,
A sorrir,
A gargalhar,
A sentir,
A amar…
E a saber te levantar,
Após cada queda.            AR

Sem mim



Perco o teu rasto,
Deixo de te ver,
És um mundo tão diferente,
Que anseio em te conhecer.

Sinto o teu respirar,
É diferente do meu,
Apaixonaste-te pela vida,
E a razão não sou eu.

Triste podia ficar,
Mas limito-me a sonhar,
Que um dia faça sentido,
o acto de respirar.

Deixei de me interessar,
Quando o sol se pôs.
Sem luz,
sem calor,
Não sinto.
É igual,
 sem o teu amor.

A esperança existe,
O sol nasce amanhã,
A necessidade do teu toque,
É efémera, meu amor,
porque tudo passa.
Amassa mas passa.


Segue o teu rumo,
Luta pelo teu mundo,
Respira sempre assim.
Eu fico com a memória,
E essa é só para mim.

Adeus meu amor,
 Fica com uma parte de mim em ti.
E sê, mesmo assim,
feliz,
Sem mim.

Sim?

AR

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O difícil é tomar consciência

Antes era tudo mais fácil.
Existia uma certa liberdade... aquela que nasce connosco.
Depois vamos sendo presos ao longo do tempo e é uma merda.
Não são só as pessoas, as situações e os medos que nos prendem. Não.
É mais do que isso. 
É uma pré-disposição analítica que cresce dentro de nós enquanto vamos ficando mais velhos.
O problema é que o tudo que passamos a vida a analisar não interessa para nada.Há sempre uma pequena parte que brilha na vida, mas chegar até ela parece ser sempre tão complicado...

Há algo que me diz que as prioridades deviam ser outras, que a vida certa não é esta, que não nascemos para fazer o que fazemos e para ser o que somos. 
Não nascemos para isto.
No entanto, cá estamos: A dizer que sim a tudo, a fechar portas e a encostar janelas, a desviar a cara do sol, a fugir da chuva, a matar árvores e a pisar flores.

O que se passa? O que te impede de dizer que não? O que te impede de ires mais longe, de veres mais longe? De ultrapassares a barreira? De "cortares as amarras"? 
O que te impede? O que te impede de fazeres a diferença? O que te impede de salvares o mundo? 
O quê? Diz-me!
O que raio te impede de tomares uma atitude?!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Dois



Corre, ao sabor do vento,
Tu sabes porque vieste,
Eu também sei.

Vem, vem ter comigo
E beija-me a boca,
O mundo é só nosso,
Quando olhas para mim.

Corre, não me deixes fugir,
Não deixes que a multidão me leve,
Agarra-me com força.

A diferença está em nós,
Amor. 
É ele que transforma o mundo.
Amor.

AR

Alma de poeta



Penso em ti com carinho,
Todo o passado são momentos felizes.
A satisfação que me deste pela minha existência,
É maior do que a insatisfação de uma existência a dois.

Não tenho medo, nem receio,
De um futuro cheio de insatisfações,
É uma lição, são lições,
Que eu não quero jamais perder.

Vou chegar ao fim com um sorriso,
E uma resposta sempre pronta,
Vou ser a coisa mais pura que jamais encontrarás.

Ar passa por mim e preenche-me,
Cada poro de cada parte da minha alma.
Ar vem dar- me o combustível que preciso,
Vem ser o meu motor e o meu coração,
Vem ser tudo,
 quando o resto parece tão pouco. 

AR