sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Urgent: Reset Humanity

 Being alive became a black and white movie.

I feel I am trapped in Gaza everyday and then I look around and this reality looks fake, this happiness around me is at the cost of so many lives all over the world.

This peace is bitter sweet when we know that because of us so many live in war.

This development has behind millions of lives lost, cultures modified, spirits broken, identities altered forever...

Yes, on the surface the sun is still a blessing, the birds a sign of hope, the eyes of people still say magic at times. But...We created an unjust system, a system that makes us believe that are nations better than others, groups of people that are better than others. We created a path that will only take us in a spiral of discrimination, selfishness, egocentrism and emptiness. In the end we will only see darkness.

The sun will become too hot and instead of a blessing it will turn into a curse, the birds will disappear silently and the skies will only have machines that instead of bringing hope will bring only polution, noise and unrest.

The eyes of the people will turn into an abyss of meaning, souls stuck within with so much to give but with no knowledge of how to let it out, no energy to continue fighting, no spirit... the system is slowly killing our spirits.

The system works for the people that dont know what spirit is, they dont know what love truly means, they believe they came to save us all, and they are doing the opposite.

They think that their truth is truer than our truth, and that certainty without questioning, is what will and is torning us all apart. 


That our spirit and soul find a way to break free from this nonsense.

Some of us know that as species we can do much better. That this system comes to an end and we can reborn as an atom.

That the universe gives us another chance at life.

And we are able to build a more loving, caring, just and magical world. Where nature rules and we are amazed by it all...

AR

domingo, 22 de dezembro de 2024

Viagem interior

 Demorei a chegar a este patamar, e nem sei bem como aqui cheguei. No entanto, sinto agora uma alegria na solidão que nunca antes senti. Estar comigo mesma não tem o peso que outrora tinha. Agora é como se fosse algo precioso. Tenho momentos de pura alegria só por saber que vou estar só. Não sei como é a alegria de se estar acompanhado, não sei se é melhor ou pior. Embora comece a achar que vai ser difícil igualar esta maravilhosa liberdade, a incrível flexibilidade, o espaço em branco que pode tornar-se a qualquer momento o que eu quiser: cinzento, às cores, pequeno, infinito, quadrado ou rectagular... Talvez este seja o meu caminho. É bom ver que me sinto bem com essa resolução. 

Gostava de conseguir explicar a infinidade de luzes que vejo a mais agora. Algo mudou no último ano dentro de mim, como se a sabedoria que sempre quis aceitar que tinha, como se o caminho que sempre andei a procurar, como se a paz que sempre pareceu fugir de mim, como se tudo isso culminasse em 2024, tudo isso bateu à minha porta este ano: Olá, diz a sabedoria, ouvi dizer que estavas à minha procura. - Hallo, diz o caminho, cá estou eu. - Oi, diz a paz, está tudo bem agora. 

E, hilariante, como não consigo apontar e dizer esta é a sabedoria, foi isto que aprendi. Não consigo dizer este é o caminho, esta é a direção certa nem posso apontar e dizer esta é a paz que almejei, está aqui a fugidia.

Pois, nada é concreto. 

Na verdade, a sabedoria sempre teve por aí. O caminho é subjectivo. E a paz, a paz é como um interruptor que não sabias que existia. 

Chegada aqui, tenho ideia que talvez não vá ficar aqui para sempre, chegada aqui sinto que é melhor aproveitar cada segundo como se esse segundo imenso não voltasse, pois ele não volta mesmo. A vida tornou-se tão preciosa e ao mesmo tempo tem sido suficiente ficar parada. Nunca pensei que pudesse unir estes pensamentos, sempre pensei que para agarrar a vida precisava de estar em todo o lado e fazer mil coisas. Agora entendo que podemos também agarrar a vida paradinhos no mesmo lugar, a apreciar as pequenas coisas, a trazer uma estabilidade à nossa mente para que ela possa organizar memórias e aclarar prioridades. Tem sido uma viagem interior interessante, mas acima de tudo tem sido fulcral entender que parados e sós também podemos ser felizes.

AR


sexta-feira, 7 de junho de 2024

Luz

 Não tenho a certeza de muita coisa nesta vida, mas estar na casa dos trinta e, finalmente, ter encontrado quatro amigas que são como irmãs é talvez o melhor presente que a vida me podia ter dado. Sofro um pouco sabendo que todas elas vivem tão longe, embora queira muitas vezes gritar a sorte que tenho pelos nossos caminhos se terem cruzado. Todas elas tão diferentes, no entanto, sinto que juntas, é possível que contenham o que eu sou. Por um lado o optimismo, por outro o ser prática, por outro prisma o ser meio-louca e por fim o querer estar em todo o lugar e mesmo assim querer encontrar alguém que nos acompanhe no movimento, no bicho-carpinteiro. 

Vejo cada uma de vocês na minha mente, volto às nossas últimas conversas e há uma luz difícil de apagar. Impossível pensar em vocês e não esboçar um sorriso. Sinto que cada uma de vocês adicionou à minha vida mais do que alguma vez poderia ter imaginado. A E. por ser um absoluto raio de sol, que tem um amor à vida extraordinário e que continua a seguir o seu coração, sem se interessar por o que os outros dizem que devia ou não fazer. A H. pelo seu coração puro e pela sua simplicidade que sempre nos leva de volta às coisas mais importantes da vida: o agora e as pessoas à nossa volta. A Ad. que com a sua posição na vida grita a meio mundo que cada um de nós pode ser o que quiser e fazer o que nos der na gana, e mesmo assim podemos filosofar sobre possíveis futuros e falar o quanto está tudo fucked up, ela mostrou-me que podemos ser fortes e, ao mesmo tempo, as criaturas mais frágeis à superfície da Terra. A An. que me provou o quanto não sabemos nada uns sobre os outros até alguém abrir a porta, até alguém abrir a cortina, até alguém mostrar um pouco da sua pele, o quanto podemos ser diferentes e mesmo assim estar lá umas para as outras, o quanto ouvir é importante, o quanto a vida é para não desistir, mesmo quando o nosso passado e a nossa mente não nos facilitou o processo.

Acho quase inacreditável o quanto aprendi com todas elas. Fico a pensar muitas vezes como era a minha vida sem elas, e merda, era muito pouco. Só de pensar que todas estas amizades têm menos de 4 anos, fico incrédula, pois sinto que as conheci toda a vida, sinto que todas elas são parte de mim. 

Se um dia deixarmos de falar por alguma razão sei que se as voltar a encontrar será uma alegria imensa, será como voltar a ver um pedaço da minha alma.

Vim agradecer. Sinto-me extremamente sortuda e acredito piamente que foram elas que fizeram com que me tornasse uma melhor pessoa, sei que tenho mais confiança em mim por causa de vocês, com vocês consigo melhorar o que sou sem deixar a minha essência. É interessante que já nem me lembre quem era antes de vocês aparecerem na minha vida. Nunca vos poderei agradecer devidamente.

Espero que tenha oportunidade de vos ver e abraçar várias vezes ao longo da vida e espero que saibam o quanto são importantes.

A transbordar.

Em dias como este penso o quão ridícula é a minha insatisfação em relação a tudo o resto.

Em dias como este, sinto, genuinamente, its enough.

*

AR

 

Recuso-me

 Interessante.

A mudança de estados de espírito. 

 Ontem, hoje e amanhã podem ser exatamente iguais: o mesmo desespero; a mesma alegria; ou podem ser tão diferentes como o planeta Terra e Marte. 

Por vezes sinto que não controlo absolutamente nada, nem mesmo as minhas ações. Sinto que tudo se movimenta ao sabor do vento, depende se o sol brilhar mais ou menos, se encontrar pessoas a sorrir ou a gritar, se falo com as pessoas certas, se ouço as palavras mágicas, se aparecem os pensamentos positivos, se tenho bons sonhos ou pesadelos ridículos na noite anterior...

Logo, se tudo é tão maleável, esporádico, fugidio, efémero, aleatório... então... nada precisa de ser nada. A importância que podia tudo ter, resume-se a emoções que não são permanentes. E se nada é permanente, por que me chateio? Por que vou aos extremos tantas vezes? 

Mas não, recuso-me a neutralizar, a apatizar, a serenizar.  Merda para isso.

Quero acreditar que a moral do que a nossa alma diz que é importante, é realmente importante. Quero acreditar que a magia pode durar um pouco mais. Quero acreditar que um sorriso genuíno nunca deixará de ter sido genuíno, mesmo que seja só uma memória. Quero acreditar que apesar de tudo e do que nos querem fazer pensar, nem tudo precisa de ser passageiro. E mais importante do que esperar pelo bom, pela felicidade, pela alegria, pela magia, o mais importante é construirmos um mundo nosso que faça sentido para nós próprios.

Tudo muda, mas a nossa essência deverá ser só uma e mantê-la tornou-se o maior desafio dos nossos tempos, ao mesmo tempo que o mais crucial de todos para que nos mantenhamos sãos neste mundo lunático em que vivemos.

AR


domingo, 4 de fevereiro de 2024

Relativizar

Quando tudo parece sem saída, é importante relativizar. Ainda estamos vivos, ainda existe a possibilidade de encontrar uma solução. A gravidade de cada situação não está representada exteriormente, mas sim interiormente. Através dos nossos olhos, do nosso prisma, da nossa mente, podemos tornar tudo possível ou tudo impossível. Olhamos, analisamos, avaliamos, formulamos conclusões que são sempre um conjunto de elementos muito nossos. Abstraírmo-nos de nós próprios e formular conclusões neutras é quase impossível. Sair da nossa mente e das ligações que a mesma interliga é a missão mais desafiante de todos os tempos. Quando decidimos algo, ou agimos, ou temos uma reação, é sempre pouco completo. Nunca teremos todos os dados a nosso dispor, nunca temos todas as alternativas disponíveis, não conseguimos ver o panorama geral. Somos uma ínfima parte do universo. O que fazemos ou dizemos é absolutamente inútil. Só conseguimos que algo seja útil se unirmos esforços, se interligámos vários cérebros que juntos cheguem um pouco mais longe. 

Quando tudo parece fugir ao meu controlo, eu respiro e penso que, na verdade, a sorte não me pode acompanhar para sempre. Depois, penso melhor, não tem sido só sorte. Quero acreditar que soube escolher caminhos que me facilitaram a vida, que me trouxeram sempre a um porto diferente e rico. Tem sido, usando a palavra mais positiva, interessante viver esta fase de desespero. Tantas pessoas a vivem todos os dias das suas vidas. Saber disto podia dilacerar-me, no entanto, respiro e sinto que é positivo saber agora o que tanta gente sente. Estou mais próxima destas pessoas, sinto mais empatia. 

Ao sair do buraco, não vou sair a mesma pessoa. E essa lição, como todas as outras, é essencial para que no futuro a pessoa que sejamos, seja uma melhor versão. Enquanto se caminhar para uma melhor versão, nada está perdido, nada é assim tão grave, nada é o fim do mundo. Mau seria a morte. Tudo o resto tem solução.

AR

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Aconchego de alma

Interessante. 

Para escrever sobre a merda estou sempre pronta, para escrever sobre buracos negros, sombras, desencontros, azares, dificuldades, fricções e caos, para isso estou cá eu.

Agora, escrever sobre o amor, bah, a falta dele consigo, a merda que é sentir, sim, sim, a dor, sem problema. Agora, escrever sobre momentos felizes, encontros de almas, filosofias que se unem e sorrisos que se esboçam ao mesmo tempo que um abraço se transforma em paz, isso não, isso não cabe dentro das minhas palavras, não sai dos meus dedos, não se expressa da minha mente, pois não é permitido dentro do meu coração.

O meu mecanismo de defesa é robusto e implacável, podia dizer que não me está a ajudar agora, mas seria mentira. Na verdade, tem sido o meu melhor amigo. Para além dele, sinto que também já existe uma memória seletiva, talvez seletiva demais. E sabendo que nem todas as luzes se desligaram aqui dentro, sabendo que afinal algo está 100% acordado, olho para o lado, finjo que não aconteceu, não abraço o sentimento, não agarro as memórias, não me deixo perder nas possibilidades.

A verdade é que somos adultos no século XXI, ser adulto neste século é uma merda. Podia dizer vinte mil e uma razões que fizeram este século uma merda, mas neste caso o que interessa é que queremos ser livres. Temos medo do contrário, confiamos pouco no outro, mesmo que o amemos. Por vezes nem em nós mesmos confiamos. Este século ensinou-nos que tudo é efémero, nada é permanente. Ouvi-te dizer isto e pensei se deveria ficar revoltada ou feliz. E acabei por pacificamente misturar tudo e ser durante um tempo o caos da mistura entre a revolta e a felicidade. Depois (porque há sempre um depois), fiquei apática outra vez. Existe uma diferença, existe agora esperança em mim, no entanto, voltei a um espaço de introspeção. Viver a vida exterior com pessoas normais é pacífico, embora eu seja muito mais eu quando estou contigo, quando estamos a discutir filosofia, sonhos, futuros e universos. Quando gritamos, e rimos, e debatemos, e ensinamos coisas um ao outro. Talvez não seja uma possibilidade um futuro a dois, talvez juntos sejamos demasiado. Num mundo de inúmeras possibilidades, qual seria a probabilidade de nos escolhermos? Como te disse, problemas deste século. Existem demasiadas alternativas. E a liberdade, a liberdade ainda reluz mais do que qualquer outra coisa. A felicidade ainda vem tanto dessa liberdade. O que sabemos nós do amanhã? Dizes viver o presente. Como anteriormente, tanto revolto-me como entendo. Esse lema podia ser meu. É o que tenho feito. E, na verdade, apesar de não me arrepender e de ter sido tanto... Depois de vários anos, perguntou-me, se não será hora de pensar em viver, a pensar no futuro, o que quero para mim, com quem quero estar, o que quero fazer, como quero lá chegar. Já sei, já sei, a vida troca-nos muitas vezes os planos, não tenho um problema com isso, o meu problema consiste, exactamente, em chegar aos 40 anos e sentir que devia ter feito outras coisas, estar noutro lugar, que devia ter lutado mais, estruturado mais, colocando mais objetivos. Sim, ir com a maré tem as suas coisas boas, também aprendemos muito sem dúvida, mas talvez haja uma perda de identidade, de conquistas, de foco, de tempo.

Com isto tudo, vim, na verdade, escrever o quão te conhecer foi importante: um pequeno milagre. E que tenho saudades dos nossos abraços. A tua viagem interior foi a minha, e por mais longe que estejas e mesmo que deixemos de falar, sinto que existe um aconchego de alma só em saber que existes. E como isto é tão raro, vou aproveitar para agarrar este momento, e mesmo que o meu mecanismo de defesa atue, mesmo que a memória falhe, mesmo que a vida se encha de pequenos nadas ou grandes nadas, tenho agora dentro de mim a sensação de preenchimento interior. Estou sozinha, mas não estou sozinha. Curioso. E, portanto, estou em paz. E se o amor não é isto, então não sei o que será.

AR

domingo, 24 de dezembro de 2023

Disconnected

 Love isnt the same concept it was many years ago. Time changes everything and your perspective and what exactly you feel changes over time. Also other things become more important. Priorities change. 

And now I look at all of you, and even though I would like to say I love you all or at least I love one of you. Once again I want to let you be. I want to let me be. Once again I dont want to dive into anything, once again I dont feel I have the energy for any of this. So I clock out. I stop thinking about any of you. I could be angry at myself but I am not. I dont care. I dont care anymore. And not hurting feels good and bad at the same time. I disconected something in me, that I am not sure if I will ever be able to connect again. 

What I know is that I am ready for a new year.

AR

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Letting go

 The light is easier to find than what we thought.

It doesn't need to come with fireworks, celebrations and trophies.

Happiness isn't an intense and permanent feeling.

Nothing is permanent.

The changes are life itself,

without them, there is no point in living.

The small things are the big things.

But people tend to always look the other side.

We sabotage ourselves often,

there is a chance we are better at that than anything else.

People are weird, complicated, complex, fucked up, crazy, impossible...

And still...

I shine with each new interaction.

The unknown is still hope.

As I am not entirely sure what I mean.

At least I am showing up, sharing, caring...

At least I am still here.

Now, being here has been peaceful,

Better than the unknown.

So, maybe, just maybe, I can breathe now.

And starting to let go of my old me.

AR


 

sexta-feira, 17 de novembro de 2023

A possibility

 I've been wondering what has been missing. And it stroked me fast as a lightning bolt. I never felt I needed rainbows, babies, stars and butterflies. Even though it has been clear that I need at least the sensation of the possibility. Sometimes not one but many. All at once. All the possibilities that can fit in one's mind and soul... How many would that be?

There are moments where I get lost in people's eyes. I navigate them, and look for something that is beyond words. Maybe many people get scared with the way I look at them, it's possible that I am trying to get to a part of them that they don't want to show. It's possible that I have been asking too much of everyone around me.

On the other day, in between stories, I found at least somebody that makes the uncomfortable questions. At least their eyes were present, at least for a couple of hours I felt seen. Although, when I go back to it in my memory I remember my eyes everywhere, almost like not knowing how to navigate the same channel as before. Because trying to get lost in somebody's eyes can be painful, can be a maze where we dont know if we will find the way out. So on the other day, I didnt get too lost. I realized that now I am the one that is scared. My eyes rolled everywhere, they wanted to see everything around because if I am still aware of all around me, I can't get too lost. 

Part of me is content, the other part of me disappointed. Part of me understands and comforts me, the other part of myself gives me a slap and whispers: "Don't run away from the raw person you are, the only way to truly live is to be your truest version, even when it hurts."

AR


quinta-feira, 31 de agosto de 2023

An explosion of it all

 Things have been rough. The tide is strong and messy, taking me right and left in no specific order. There are days that I think I might be going mad.

But if I think deeper... I know I am not only myself, I am also bits and pieces of: My grandma, I am part of her personality that divorced and lived alone almost all her life, I am her pain, her strength, her fight. I am my grandfather, always upset with the world, always thinking that nothing and no one is good enough, always thinking that he knows best. I am also that, I am angry, restless and miss know it all. I am my other grandma, depressed almost all of her life, in fear of the unknown, hidden in a shell, thinking that she isnt good enough for anything. I am all of that too: depressed, hidden, low self-esteem. I am part of my other grandfather, adventurous, no serious relationships, detached of most people and society goals. I am 100% that: there is no life without adventure, solo forever, independent, brave and a fuck-you-all attitude that never takes me anywhere. I am my mother, alone, feeling that nobody understands her, hurt by the past, full of an emptiness that never goes away. I am that. I am my father, pretending that all is good all the time, that life is always beautiful, pretending that he doesnt need anyone or anything to be happy, focusing on the good stuff, not talking about the things that hurt and when everything becomes too much explode out of nowhere and scream at everybody. Yes, I am my father: an optimist on my good days, a good actress, upbeat, a good laughter, smile at everybody, reserved, unstable, broken.

I hope I am also my cousin, the best heart I ever met, the most genuine smile, the most genuine words, somebody that never forgets anybody, that cares about everybody, I hope I am also her, her heart, her empathy, her love.  

I wished I remembered faster all the good stuff that makes me be me.

Besides this... I am the books I read when I was a kid. I read so many sad, complex and depressing books. Most of them real stories, that soon in life taught me that to live is so many times a struggle.

I am the people that I met along the way. They were so many, I am now an explosion of everything.

I am the moments that I lived, or at least the ones that I remember. Sometimes I think I have been forgetting many things. And probably I have been forgetting the best moments, for some unknown reason the bad ones are stamped to my soul.

I am my decisions, even though sometimes I wonder if it's not them that own me.

I am my words, despite it all, I always knew how to use words when the time was right. Words almost always comforted me, words have been trying to help me find myself since I learned how to write.

Yes, I am too much, but as I can't change any of this... It is time to accept it all, learn how to organize it, learned how to be in peace with all these parts of myself and find a better light, a better angle, a better perspective. Something genuine but lighter, I want to make peace, breathe and let go. Even though my path is long, and my strange scars are deep. I dont see the exit yet, but I better work out on finding my way inside these 4 walls.

AR


domingo, 23 de julho de 2023

A caminho para lado nenhum

Quero que esta página fique em branco.

Não quero aprofundar, nem explicar, nem comunicar.

Uma explosão de tudo sentiu-se na entrada da casa, e agora tenho medo de entrar.  Tenho medo de ver os destroços. Não quero ver nada, nem sentir nada, se possível esconder-me no jardim e ficar por lá, sem que nada seja exigido de mim.

Não quero mais falar com amigos e discutir por não entendermos a batalha que o outro está a passar; eu não entendo a tua, tu não entendes a minha. Não quero pensar mais sobre futuros, e trabalhos e merdas. Quero existir sem ter que planear, sem ter que decidir o que quero fazer com as minhas capacidades (ou a falta delas). Não quero mais ser catalogada como a pessoa que outrora fui, seja ela a eterna viajante, ou a escritora, ou a rebelde, ou a radical, ou a louca, ou a que nunca está presente. É possível que já não seja nada disso, assim como é possível que ainda seja tudo isso. (Embora gostasse de ser mais)

Não quero continuar a bater a portas de casas vazias, nem analisar comportamentos, palavras nem ações, não quero mais fingir que está tudo bem.

Ainda não sei como sair desta espiral de acontecimentos dilacerantes, nem como vou lidar com tudo isto a tempo de não me perder completamente. Porém, nunca fui pessoa de baixar os braços...Tento não esquecer a parte de mim que sempre foi forte, resiliente, a parte de mim que sempre superou tudo com um sorriso. Depois lembro-me da farsa. Abraço as minhas pernas e em silêncio coloco-me a um canto desejando o fim dos pensamentos e uma liberação de, fisicamente, ser.

AR


domingo, 16 de abril de 2023

Realidade paralela

 Olho à minha volta, vejo os sorrisos, mãos dadas, abraços sentidos, beijos carinhosos, gargalhadas mágicas, toques cheios de um tudo que não consigo alcançar. Quase como se todas as pessoas à minha volta vivessem num mundo que não é o meu. Sentissem coisas que não entendo, emoções que me ultrapassam, conversas que não sinto que façam sentido. Ando na rua como se andasse na lua. Sei que quem é o extra terrestre sou eu. Não sei o que me custa mais, se é não me identificar com nada disto, se é não conseguir fazer parte desta sociedade ou se é ter conseguido afastar tanta gente que tentou aceitar-me como sou. 

Quando digo que tive uma semana difícil, não sei bem o que quero dizer. Dentro de mim senti uma intensidade e caos que me deixou completamente esgotada. Como se a vida agora fosse demasiado.

Durante anos que fiz tanto e sentia que era disso que necessitava e agora...e agora, gostava de saber o que mudou. O problema é que talvez já nada me faça feliz. Já nem o caos. Nem o movimento. Nem o fazer mil coisas ao mesmo tempo. Conhecer mil pessoas. Entrar em áreas de trabalho diferentes, aprender mais, conhecer mais, fazer mais... Agora sinto um cansaço enorme, como se tivesse chegado ao meu limite de algo que não sei bem o que é. Sei que ainda quero aprender mais e ver mais e conhecer mais. Mas não já, não agora. Agora, agora só quero estar sozinha, em silêncio, ao sol, sem que nada seja exigido de mim. Que não precise de falar, que não precise de ser, que não precise mais de sorrir, e abraçar e fingir que quero saber. Na verdade não quero saber de nada, nem de ninguém. Não sei o que se passa but its not looking good...

Estou com esperança que seja só uma fase e que possa fazer algo mais sossegado, que normalmente não seria o que escolheria para mim, até estar pronta a voltar a viver mais. Sinto que quero colocar pausa na vida e puder apreciar o vento sem precisar de olhar para o relógio. Ao mesmo tempo que me pergunto quanto tempo mais preciso de continuar a fugir? Como posso eu encontrar o equilíbrio? Onde está esse caminho? Onde encontrar essa paz?

AR

terça-feira, 14 de março de 2023

Ondas, vento e magia


Não considero que sei rimar,

É possível, que os meus poemas, sejam pouco.

Um pouco assim cheinho de ondas, vento e magia.

A verdade, é que nem acredito em magia.

"A mentira dos poemas." 

Penso que é tudo tanto,

E é tudo nada.

O sopro da vida está presente,

Nas coisas que morrem cedo.

E ausente,

em quem morre tarde demais.

Basta uma palavra, para saber,

a direcção de um mundo novo.

Se será ou não,

uma boa decisão,

Isso é outra questão.

Atiro palavras para o ar,

Como pinceladas numa tela em branco.

Brinco com a vida,

Experimento, salto, grito e desespero.

Tudo é tanto,

 e tão pouco.

Gostava de ver nos olhos dos outros,

Aquilo que viste nos meus.

Essa intensidade,

essa perfuração de alma.

Não quero amor, não,

Quero, em exactidão,

Essa perfuração de alma.

 

AR

O meu mundo é outro

Todas as histórias de amor nojentas...

Eu só quero falar de desencontros...

Podia agarrar as sensações mais puras, as energias mais limpas e os sorrisos mais genuínos, mas acabo sempre por me agarrar à falta de esperança, à mágoa, ao que não foi dito nem feito, ao silêncio, à distância, à impossibilidade.

  Eu toda um buraco negro. Eu toda o caos.

Queria escrever um poema sobre isto, porém, é como se só o amor se encontrasse nos poemas, como se tudo o resto fosse falso, mal construído, inútil, vazio.

Não quero mentir e escrever que sei o que é o amor. Não quero falar sobre pessoas do outro sexo que posso ou não gostar. Sinto que é tudo em vão. Não quero aprofundar. Gostava que viessem todos atrás de mim, encostassem-me contra uma parede e me obrigassem a escolher. Obrigassem-me a sentir. Que me batessem, gritassem comigo, virassem-me do avesso. Por alguma razão, é esse o mundo em que me encontro, o mundo do extremo, de um pico de algo, um ferver de emoções, um grito de desespero. Encontro-me mais facilmente por aí, do que num abraço, num beijo, num carinho.

Sei o porquê, mas não, não quero continuar a analisar-me. Quero, sim, encontrar alguém que seja, talvez, mais caótico do que eu, e que, talvez, possa-me tornar útil e consiga ajudar um outro caos a aceitar-se e a viver com a loucura da vida.

AR

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Vícios

 Estou viciada em café, álcool, Netflix e no movimento. Todos estes vícios têm o seu grau de gravidade. Porém, em vez de pensar na gravidade dos mesmos, só consigo ver as coisas positivas. O café faz com que fique elétrica, com vontade de fazer mil coisas simultaneamente e com milhares de ideias que parecem lindas e maravilhosas. O álcool deixa-me feliz, a vida parece mais colorida, todas as pessoas parecem incríveis e dançar passa a ser a coisa mais importante e bonita nesta vida. A Netflix faz com que mergulhe noutros mundos e esqueça do vazio que a minha vida tem. Apaixono-me por personagens como se fossem pessoas reais, como se o real e a ficção se pudessem fundir num só, e de repente tanto posso ter nascido em África, nos Estados Unidos ou na Índia, de repente posso ser lésbica, ou bi, ou trans, de repente sou criança, velha e um átomo, de repente transformo-me no que quiser. O Movimento, esse maldito, que me ilude desde que sai da Universidade. Ilude-me, apaixona-me, surpreende-me, ensina-me, destrói-me e tudo in between. O Movimento tem, na verdade, mil vidas e todas elas são tão importantes. Como escolher? Como saber o que é melhor para nós? 

Abraço todos estes vícios de uma forma intensa, dou-lhes a mão e finjo que não é grave, que viver assim é positivo, bonito e especial. Aceito que não sou perfeita e tento perceber o que consigo largar. Se há algo que possa fazer para ser melhor e estar melhor. Dou voltas à minha cabeça como a estupenda psicóloga que sou de mim própria. Quero, na verdade, dar-me uma estalada. Quero ser como uma irmã mais velha, gritar comigo própria e dizer que não posso continuar assim, que nada disto é saudável. Que a minha vida está cheia de escapes para não ter que lidar com alguma coisa que ainda não sei bem o que é. Sei que estou a fazer tudo mal, sei que continuo a fazer tudo mal e mesmo assim volto a tomar decisões duvidosas que me levam a outros caminhos que não era o que queria para mim...  mas o que quero, realmente, para mim? 

O café faz-me acreditar que a vida pode ser melhor que isto, o gosto do café é um escape, a energia que o café me dá e a maneira inacreditável como coloca os meus neurónios a funcionar a mil à hora é realmente um fenómeno brilhante.

O álcool é já um amigo, um amigo que tenho de ver, pelo menos, uma vez por semana para ter a certeza que ainda estou viva.

A Netflix tornou-se uma rotina como comer e dormir.

O movimento é parte de mim. Sem ele, como estou, neste momento, não sei quem sou e o que faço aqui. Não tenho propósito, nem objectivos, nem missões, nem desafios, nada. O que sou sem o movimento?

Com medo do que pode acontecer com a falta de movimento, volto a tomar decisões que me surpreendem e enlouquecem. Parte de mim leva as mãos à cara, a outra parte de mim sorri, salta, dá uma gargalhada e corre para o horizonte.

F*

AR



sábado, 31 de dezembro de 2022

Não é só um vestido bonito

 Sinto tudo como uma farsa. Pinto as unhas para parecer mais sofisticada ou talvez só para fingir que sou igual às outras. Coloco os sapatos altos, os pés doem-me, penso porque é que o fazemos? Porque é que o faço? Visto- me e faço um penteado, sinto que não sei bem o que estou a fazer, que todos os passos e todos os detalhes são falsos, que esta não sou eu. Porém, não me sinto mal por isso. Estou bem, aparento estar bem. A farsa funciona, funciona sempre. O parecer bem é meio caminho para se estar bem. Eu sei-o.

Não estou propriamente entusiasmada, talvez devesse estar. No entanto, há tanto ruído... o maravilhoso livro triste que li hoje, telefonemas com palavras proferidas que magoam, o vazio do costume. Vou porque sei que me vai fazer bem, que me vai fazer esquecer de tudo e vou entrar num mundo em que tudo é belo, colorido e animado. Pelo menos por umas horas. E por vezes a alegria dessas horas é uma botija de oxigénio que nos permite respirar durante uma semana. 

Os anos passam e a nuvem negra continua demasiado perto de mim, sem nunca realmente se afastar, mesmo em dias de céu azul. Procuro sempre uma distracção que me faça acreditar que a vida não é só isto. Como tenho a certeza que não é. Vi-o nos olhos de um cão, vi-o no sorriso de uma criança, senti-o no vento que passou por mim, senti-o na pele depois de um toque, vi-o num pôr de sol, lembrei-me. Não é só mais um ano, é também mais uma oportunidade, mais tempo, mais esperança, mais... 

Vou ali então vestir a farsa.

AR 

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Entre a Paz e o Amor

 A perfeição não existe. Ninguém é perfeito. Ok, aceita-se. Mais ao menos.

Não é preciso ser perfeito, embora tenha que existir uma certa magia para que faça sentido. Temos sempre uma primeira impressão, depois uma segunda, a seguir começamos  a pensar se a pessoa podia ser mais. O após é sempre o mesmo, é encontrar os defeitos, é a irritação que vem depois de verificar que a pessoa tem sempre os mesmos tiques, as mesmas piadas, a mesma maneira de reagir a certas situações. Gostava de ser leve, de aceitar todos, de só ver as coisas boas, de aceitar qualquer um e ser feliz. Era bom que fosse mais fácil. Não consigo que seja fácil, não consigo deixar de ser complexa e exigente, não consigo deixar de irritar-me com todas as pequenas coisas. Ninguém é perfeito. Penso muitas vezes que quando encontrar alguém com quem sinta a tal magia que não me vou importar com tudo o que não gosto, quero acreditar que simplesmente não tenho gostado assim tanto de alguém para conseguir esquecer os defeitos, tiques e manhas. Quero acreditar.

Lembro-me de um momento muito específico este ano. Estávamos muito perto um do outro, eu olhei para ti e reparei, pela primeira vez, que os teus olhos tinham várias cores: cinzento, azul, verde... Na verdade, parecia uma explosão de cores. Lembro que me perdi por todas as cores dos teus olhos durante um minuto. Pensei, na altura, que se tivesse apaixonada que aquele seria um momento bonito. E depois, pensei que estava a ser um momento bonito na mesma. Sorri, dei-te um beijo. E naquela noite não pensei mais sobre significados, borboletas, futuros e sentimentos. 

Tenho tido uma boa vida sem isso tudo, aliás tenho sido privilegiada. 

Rio-me com o quão irónica a vida é. Sei-o, da mesma forma que sei o meu nome que um dia quando me voltar a apaixonar e não der certo, e entrar num sofrimento que vai parecer infinito, vou-me lembrar de todos os momentos em que quis experienciar isso outra vez, em que quis sentir a magia. E vou pensar, como já antes aconteceu, que prefiro a paz. 

Se tiver que escolher entre a paz e o amor, sei-o, escolherei sempre a paz.

AR

sábado, 4 de junho de 2022

No regrets

Quero arranjar tempo para tudo, quero estar em todo o lado, estar com todas as pessoas, fazer tudo. Não quero escolher, não quero apenas este ou aquele caminho, nem esta ou aquela pessoa. Quero puder abraçar todos, viver tudo, sentir tudo.

Nos últimos dias apaixonei-me por muitas pessoas. O meu entusiasmo por pessoas tem parecido crescer. Como se a magia da vida agora tivesse na coleção de personalidades que consigo conhecer. A cada nova e interessante conversa a minha alma sente-se mais acompanhada, mais saciada. Apesar de nunca saciar completamente.

Tem sido interessante analisar esta fase da minha vida. Têm havido altos e baixos. No entanto, tenho sentido nos últimos meses uma certa clareza em relação à vida que penso nunca ter experienciado antes. Tenho tido muitos momentos iluminados. Não sei bem de onde vem esta energia, esta força, este entusiasmo, também não sei bem se consigo manter este ritmo, ou se é saudável fazê-lo, mas tem sido tudo tão importante e especial.  Mesmo que tenham sido momentos, maioritariamente, com estranhos. Tem sido um investir no desconhecido. Leap of faith. Nem é isso, é, na verdade, o acreditar que não é por ser efémero que deixa de ser menos importante. Demorei anos a chegar aqui. Foi difícil chegar a este patamar, em que estou a 100% no momento, sabendo que poderá nunca passar de um só momento, que poderá nunca se repetir, mesmo assim invisto, estou presente, aceito, sorrio, dou.

 A vida tem sido tanto. E por mais cansativo que seja ser tudo e estar em todo o lado, não me arrependo de um único segundo.

AR

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Abraçando Lisboa

 22.02.2022

Que data interessante.

Cada vez mais acredito em momentos perfeitos.

Não sei se é pelo céu azul e por este sol incrível, ou pelo que é, mas hoje é um bom dia! Vim até um jardim, escolhi uma esplanada aleatória. Cappuccino. Olho em frente e um grupo de crianças brinca. Sorrio. Vê-las brincar é belo.

Do meu lado esquerdo está um grupo de adolescentes a fazer rap, podia sentir que perturbam a minha paz, no entanto, sorrio. O rap não é mau, proferem palavras que fazem sentido, têm jeito para aquilo, têm melodia, é arte, o que fazem é arte.

Do meu lado direito, duas americanas falam sobre a vida. Não sei se vivem aqui ou se não, embora seja agradável ver que se perdem em conversas como se tivessem todo o tempo do mundo. É tão bom ter todo o tempo do mundo.

O sol aquece-me a alma. Está um dia esplêndido. Não se vê uma única nuvem no céu, este azul profundo emana paz.

Recebo uma chamada, a conversa faz-me sorrir também. Em breve falarei a jovens sobre globalização, direitos das mulheres, viagens e literatura. Oh! Haverá algo mais enriquecedor do que isto?

Olho em volta, ouço idiomas variados, vejo várias pessoas vestidas de maneira diferente, indicando que nasceram em distintos cantos do mundo. Penso, que apesar de sentir muita falta de viajar, estar aqui tem sido uma tábua de salvação.

Fazemos o que podemos com o que temos e aproveitar o que existe à nossa volta para ser feliz é realmente importante.

Lisboa parece o berço do mundo. Um abraço à humanidade. É mais do que belo ver partes do mundo aqui. Recebo o mundo com um abraço forte, obrigada por terem vindo, fiquem mais um bocadinho...

AR

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Brasil 💗

 Estava a pensar como é que é possível que há 4 anos não tenha escrito, praticamente, nada sobre o Brasil tendo sido uma viagem tão importante.

Deixo aqui um texto escrito naquela altura com algumas coisas que acrescentei hoje. Pois, voltei a ler os rascunhos que escrevi quando visitei o Brasil e tive tantas saudades que chorei. Chorei como se fosse o meu país, como se já não fosse a casa há 4 anos. 

Sobre o Brasil:

Vim à procura de um abraço, encontrei mais do que isso. Encontrei nesta vossa linguagem cheia de gerúndios a sensação de estar em casa.

A Beleza está na ponta da língua, para dizer que concordo.

Tenho vontade de gravar a vossa voz a dizer: Uai para me lembrar que a primeira vez que a ouvi, respondi como se fosse Porquê.

Estou cansada dos vossos ônibus, espero ver mais trens da próxima vez, mas não boto muita esperança nisso. Embora saiba que vai haver próxima vez.

Ainda não sai desta terra maravilhosa, porém, já tenho saudades.

Saudades dos cariocas, dos paulistas, dos mineiros...

Saudades do cupuaço, do bacuri, da castanha-do-pará...

Saudades da goiabada, das borboletas coloridas, do pássaro bem-te-vi, dos tucanos, dos loros, até dos Urubu, até desses.

Saudades do vosso frio que é quente, dos abraços sentidos, das tapiocas, do açaí...

Vou sentir falta do vosso cumprimento: um abraço e um beijo. Não há cá beijinhos.

Gosto de vocês mesmo quando fazem o troco arredondando, mesmo quando falam alto para deixar mensagem de áudio no whatsapp, mesmo sabendo que há demasiado plástico descartável nestas terras, mesmo com a vossa obsessão pela estética, mesmo que gostem de sertanejo com aquelas letras machistas que não dizem nada de jeito, mesmo que coloquem demasiado açúcar e sal na vossa comida, mesmo que comam muita carne, mesmo assim, gosto de vocês.

A casa-de-banho passou a ser banheiro.

O pequeno-almoço passou a ser café da manhã.

Os atacadores passaram a ser cadarço, singular, pois, exato.

Tu passou a ser você, e bem posso tentar tratar a galera por tu, que muitas vezes não me entendem. 

Então, você, contrariando a minha mente que me diz que você é formal. Aqui não há bem formal e informal, no final de contas, somos todos uma grande família. Não existem muros, barreiras, os tais muros e barreiras que em Portugal tanto gostamos de criar.

Talvez tenha sido essa uma das razões para me sentir em casa. Senti que aqui somos todos iguais. Só muda os pormenores, na alma somos um só.

Se pudesse, levava um bocadinho do Brasil no bolso para todo o lado. Embora, sinta que por ter estado aqui mais de dois meses, é claro que o Brasil está agora tatuado em mim, e que vai moldar a minha pessoa no futuro. Vou levar, sim, o Brasil comigo, somos tão melhores quando conseguimos ser de onde nascemos e também de todos os outros lados.

AR